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Tarifaço promete reduzir preços de frutas, segundo entidade do setor

Exportadores de frutas brasileiras enfrentam crise com sobretaxa de 50% dos EUA, prevendo queda nos preços e incertezas sobre empregos na região.

Manga, uva e polpa de açaí representam 90% do total exportado para os EUA (Foto: Ernesto de Souza/Editora Globo)
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  • Exportadores brasileiros de frutas, como manga e uva, enfrentam uma sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que começa em 1º de agosto.
  • A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) estima perdas financeiras de até US$ 3 milhões e compromissos com clientes americanos.
  • A queda nos preços é esperada, especialmente para produtos que representam 90% das exportações para os EUA.
  • Os exportadores consideram redirecionar cargas para a Europa e Argentina, com a Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (Coopexvale) planejando desviar metade de suas exportações.
  • A única esperança do setor é uma possível revisão da tarifa pelo governo americano, com esforços de diálogo em andamento.

Os exportadores brasileiros de frutas, especialmente manga e uva, enfrentam um cenário crítico devido à sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que entra em vigor em 1º de agosto. Essa medida pode resultar em perdas financeiras significativas, estimadas em até US$ 3 milhões, e comprometer contratos já estabelecidos com clientes americanos.

A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) alerta que a queda nos preços é iminente, especialmente para produtos que representam 90% das exportações para os EUA. O diretor institucional da Abrafrutas, Luiz Roberto Barcelos, destacou que a manga, que já está em colheita, terá seus embarques prejudicados. Ele mencionou que 70 mil toneladas de manga foram negociadas para o mercado americano, mas agora precisam ser redirecionadas para a Europa ou o mercado interno, o que pode pressionar os preços para baixo.

Impactos no Setor

Além da manga, a uva do Vale do São Francisco e a polpa de açaí também serão afetadas. Em 2024, 26,13% das exportações de uva e 31% da polpa de açaí foram destinadas aos EUA, totalizando US$ 89 milhões em receita. A incerteza sobre a continuidade das exportações gera preocupações sobre a empregabilidade na região, onde empresas como a GrandValle, que emprega cerca de 400 pessoas, podem enfrentar dificuldades.

Os exportadores estão buscando alternativas, como redirecionar cargas para mercados na Europa e Argentina. A Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (Coopexvale) planeja desviar cerca de metade das suas exportações. O gerente comercial da cooperativa, Cristhian Diaz, enfatizou que vender a preços mais baixos é preferível a não vender.

Esperanças de Diálogo

Diante da situação, a única esperança do setor é uma possível revisão da tarifa por parte do governo americano. A gerente de país da Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), Valeska Oleiveira Ciré, afirmou que a associação está buscando diálogo com as autoridades americanas para demonstrar a importância das frutas brasileiras no mercado. Ela ressaltou que os consumidores americanos também desejam acessar mangas a preços competitivos.

A situação permanece volátil, com os produtores aguardando definições sobre como proceder. A expectativa é que as colheitas comecem na próxima semana, mas a falta de clareza sobre o cenário tarifário continua a ser um desafio para todos os envolvidos.

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