- Mais de dois milhões de palestinos em Gaza enfrentam uma crise de fome, com aumento diário de mortes por desnutrição, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
- A Gaza Humanitarian Foundation (GHF) distribuiu 91 milhões de refeições desde maio, principalmente em caixas de alimentos.
- Cada caixa contém 42.500 calorias, suficientes para alimentar 5,5 pessoas por 3,5 dias, mas especialistas criticam a qualidade nutricional.
- A dieta é deficiente em nutrientes essenciais, como cálcio, ferro e vitaminas, o que pode afetar a saúde de crianças pequenas.
- A escassez de água e combustível agrava a situação, com gás de cozinha sendo vendido no mercado negro a preços exorbitantes.
Mais de dois milhões de palestinos em Gaza enfrentam uma crise de fome, com o aumento diário de mortes por desnutrição, segundo a ONU. A Gaza Humanitarian Foundation (GHF), apoiada por Israel e Estados Unidos, distribuiu 91 milhões de refeições desde maio, principalmente em forma de caixas de alimentos. No entanto, especialistas questionam a qualidade nutricional desses itens.
A GHF divulgou que cada caixa contém 42.500 calorias, suficiente para alimentar 5,5 pessoas por 3,5 dias. As caixas incluem alimentos secos como macarrão, grão-de-bico, lentilhas e farinha de trigo, além de óleo de cozinha e tahine. Contudo, a análise de especialistas revela que, apesar de fornecer calorias, a dieta é deficiente em nutrientes essenciais. O professor Stuart Gordon, da London School of Economics, afirmou que a cesta alimentar é “um primeiro socorro” que pode levar a deficiências graves se consumida por longos períodos.
A falta de nutrientes como cálcio, ferro e vitaminas é uma preocupação crescente. Dr. Andrew Seal, da University College London, destacou que a dieta proposta pela GHF não atende às necessidades de crianças pequenas e pode resultar em problemas de saúde a longo prazo. Diferentemente da GHF, agências como o Programa Mundial de Alimentos (PMA) distribuem alimentos em maior quantidade e com suplementação nutricional.
A situação em Gaza é ainda mais complicada pela escassez de água e combustível. A ONU alertou que a crise hídrica está se agravando, forçando famílias a recorrer a métodos de cozimento inseguros. O PMA informou que o gás de cozinha está sendo vendido no mercado negro a preços exorbitantes, até 4.000% mais altos do que antes do conflito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que a malnutrição está aumentando, com 90 mil mulheres e crianças necessitando urgentemente de tratamento.
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