- O JPMorgan revisou as estimativas para as ações do Assaí e do Grupo Mateus, destacando a deflação em alimentos e a pressão sobre o crescimento do atacarejo.
- O preço-alvo do Assaí aumentou de R$ 10,50 para R$ 11,50, enquanto o do Grupo Mateus foi ajustado de R$ 9 para R$ 9,50.
- O Assaí enfrenta desafios devido ao alto nível de endividamento, o que limita investimentos e expansão.
- O Grupo Mateus, com forte presença no Nordeste, adota um modelo híbrido de atacado e varejo, mas sua estrutura de capital de giro é mais pesada que a dos concorrentes.
- O setor de atacarejo deve se adaptar a um ambiente competitivo em transformação, com a pressão sobre o volume de vendas e o aumento do comportamento de trade-down entre os consumidores.
O JPMorgan revisou suas estimativas para as ações do Assaí e do Grupo Mateus, destacando a deflação em alimentos e a pressão sobre o crescimento do atacarejo. O banco observa que a desaceleração da inflação pode impactar negativamente as varejistas do setor, especialmente em categorias como arroz, feijão e batata, enquanto proteínas e bebidas continuam a ser os principais responsáveis pela inflação.
As novas projeções incluem um aumento no preço-alvo do Assaí, que passou de R$ 10,50 para R$ 11,50, e do Grupo Mateus, que foi ajustado de R$ 9 para R$ 9,50. Apesar do histórico de crescimento do Assaí, a empresa enfrenta desafios devido ao seu alto nível de endividamento, levando a uma redução nos investimentos e na expansão. O Assaí está em um processo de desalavancagem, beneficiado pela recente queda nas taxas de juros.
Desafios do Setor
O Grupo Mateus, por sua vez, se destaca como o terceiro maior varejista de alimentos do Brasil, com forte presença no Nordeste. A empresa adota um modelo híbrido de atacado e varejo, onde as lojas de atacarejo representam 55% das vendas. O banco ressalta que, embora o Grupo Mateus tenha um balanço sem alavancagem e um conhecimento profundo das regiões onde atua, sua estrutura de capital de giro é mais pesada que a dos concorrentes.
O relatório do JPMorgan também aponta que o setor de atacarejo enfrenta dificuldades para crescer em mesmas lojas. A inflação percebida nesse formato supera a média geral de alimentação, indicando pressões sobre o volume de vendas e um aumento no comportamento de trade-down, onde consumidores optam por produtos mais baratos.
Tendências de Preços
O Índice de Preços no Atacado para produtos agrícolas caiu 5% em junho, refletindo uma desaceleração na inflação de alimentos. A expectativa é que o tíquete médio seja pressionado, especialmente a partir de setembro, quando os efeitos de base se tornam mais desafiadores. O Assaí é mais vulnerável a uma desaceleração nas vendas, com uma queda de 1% no tíquete médio resultando em uma redução de 8% no lucro por ação, em comparação a 3% para o Grupo Mateus.
Essas dinâmicas indicam um cenário desafiador para o atacarejo, que deve se adaptar a um ambiente competitivo em transformação, especialmente com a deslistagem do Carrefour Brasil.
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