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Cidades adotam moradias sociais e ‘coliving’ para combater a gentrificação

Cidades europeias avançam em políticas de habitação social, enquanto o Brasil enfrenta desafios históricos na oferta de moradias acessíveis.

Proposta de habitação popular no Rio (Foto: Alexandre Cassiano)
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  • A urbanização acelerada e a especulação imobiliária geram desafios nas cidades, como gentrificação e crise habitacional.
  • Cidades europeias, como Viena e Paris, implementam políticas de habitação social que priorizam moradias acessíveis.
  • Em Viena, metade das moradias é gerida pelo governo local, que subsidia aluguéis, mantendo a cidade acessível.
  • Paris possui cerca de 25% da população em habitações populares, com a prefeitura comprando imóveis ociosos para oferecer aluguéis controlados.
  • No Brasil, iniciativas como retrofit social e coliving surgem como alternativas, mas especialistas alertam que soluções pontuais não resolvem problemas históricos.

A urbanização acelerada e a especulação imobiliária têm gerado desafios significativos nas cidades, como a gentrificação e a crise habitacional. Enquanto isso, cidades europeias como Viena e Paris implementaram políticas de habitação social que priorizam moradias acessíveis, contrastando com a realidade brasileira.

Em Viena, metade das moradias é gerida pelo governo local, que subsidia os aluguéis, tornando-os muito abaixo do mercado. Este modelo, que remonta aos anos 1920, tem se mostrado eficaz em manter a cidade acessível, mesmo diante da especulação imobiliária que afeta outras metrópoles europeias. A administração municipal busca suavizar desigualdades entre bairros, evitando a exclusão de moradores.

Paris, por sua vez, adota uma abordagem semelhante, com cerca de 25% da população vivendo em habitações populares. A prefeitura compra imóveis ociosos e oferece aluguéis controlados, garantindo que trabalhadores e estudantes possam residir em áreas nobres da cidade. A prefeita Anne Hidalgo defende um urbanismo inclusivo, afirmando que “o pobre também tem direito ao belo”.

No Brasil, a situação é mais complexa. O engenheiro Francisco Comaru destaca a necessidade de financiar o acesso à moradia, apontando que os investimentos em políticas habitacionais para a população de baixa renda são insuficientes. O Estatuto da Cidade, em vigor desde 2001, estabelece diretrizes para o planejamento urbano, mas sua aplicação ainda é limitada.

Iniciativas como o retrofit social e o coliving estão surgindo como alternativas inovadoras. O Edifício Castro, em Cubatão (SP), será o primeiro prédio no Brasil a passar por um retrofit completo para habitação popular, abrigando 81 famílias. No entanto, especialistas alertam que soluções pontuais não são suficientes para resolver problemas históricos.

A fragmentação urbana e a escassez de bairros com boa infraestrutura contribuem para a alta dos preços dos imóveis. A pesquisadora Vanessa Nadalin sugere que um zoneamento inclusivo poderia promover maior diversidade social nas cidades. Exemplos de requalificação urbana, como em Medellín, na Colômbia, mostram que é possível melhorar a moradia em áreas centrais.

Por fim, a articulação com movimentos de moradia é essencial para o sucesso de projetos habitacionais. A professora Laisa Eleonora Stroher enfatiza a importância de integrar as experiências desses movimentos nas políticas públicas, visando soluções mais eficazes e inclusivas para a habitação nas cidades brasileiras.

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