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Investir no exterior é vantajoso mesmo com juros altos no Brasil e baixos nos EUA

Especialistas recomendam diversificação em ativos globais para proteger investimentos em meio à volatilidade da economia brasileira

Foto: Reprodução
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  • O Brasil mantém a taxa de juros em 15% ao ano, enquanto os Estados Unidos têm juros entre 4,25% e 4,50%.
  • Especialistas alertam para os riscos de concentrar investimentos apenas no Brasil, recomendando diversificação em ativos globais.
  • O mercado brasileiro representa apenas 1% a 2% do volume global, com foco em setores limitados como bancos e commodities.
  • A XP sugere alocação de 60% em ações dos EUA, 15% na Europa e 10% em mercados emergentes, priorizando inteligência artificial.
  • Um estudo da Fundação Getulio Vargas indica que é necessário investir entre 16% e 18% do patrimônio fora do Brasil para neutralizar o impacto do câmbio.

O Brasil mantém a taxa de juros em 15% ao ano, enquanto os Estados Unidos apresentam juros entre 4,25% e 4,50%. Esse cenário torna a renda fixa brasileira atraente, mas especialistas alertam para os riscos de concentrar investimentos apenas no mercado local.

A vulnerabilidade do Brasil a choques econômicos e crises políticas pode impactar negativamente a performance dos ativos. Além disso, o mercado brasileiro representa apenas 1% a 2% do volume global, concentrando-se em setores como bancos e commodities, o que limita as oportunidades de crescimento em áreas emergentes, como inteligência artificial. Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP, recomenda diversificação em ativos globais, mesmo para investidores conservadores, ressaltando que ativos dolarizados oferecem uma relação risco-retorno mais eficiente a longo prazo.

Caio Athié Teruel, economista da Cimo Family Office, reforça que ignorar ativos internacionais pode reduzir a rentabilidade da carteira. Ele destaca a importância de incluir fundos e ativos custodiados no exterior, independentemente de estarem indexados ao real ou ao dólar. Atualmente, apenas 2,5% do patrimônio dos brasileiros está alocado fora do país, um índice semelhante ao de nações como China e Índia, refletindo um viés doméstico que pode ser limitante.

Oportunidades no Exterior

Os Treasuries americanos continuam sendo uma opção atrativa, com retorno de cerca de 4,34% ao ano. Com a valorização histórica do dólar frente ao real, os retornos podem se aproximar de 13% ao ano em dólar, competitivo em relação ao CDI. Contudo, Sgavioli alerta para o contexto fiscal nos EUA, sugerindo uma duration de 3 a 4 anos para investimentos em renda fixa.

Na renda variável, a XP recomenda uma alocação de 60% em EUA, 15% na Europa e 10% em emergentes, priorizando setores ligados à inteligência artificial. Teruel sugere a inclusão de hedge funds, que oferecem rentabilidade descorrelacionada e podem agregar diversificação à carteira.

Percentuais de Alocação

Um estudo da Fundação Getulio Vargas indica que é necessário investir entre 16% e 18% do patrimônio fora do Brasil para neutralizar o impacto do câmbio no consumo. Para Roque, da Avenue, esse percentual é adequado, e a XP recomenda uma divisão clássica de 40% em ações e 60% em renda fixa para quem inicia a diversificação global.

Investir no exterior também envolve riscos, como liquidez e crédito. É essencial que o investidor verifique a liquidez dos ativos e esteja ciente da volatilidade, especialmente em ativos pré-fixados e na renda variável. Sgavioli destaca a necessidade de atenção ao crescente endividamento das principais economias, que pode afetar a renda fixa globalmente.

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