- Fabricantes brasileiros de molduras e madeira processada enfrentam dificuldades devido à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos.
- Empresas como Sudati, BrasPine e Millpar anunciaram demissões e férias coletivas em resposta à queda nas vendas.
- A tarifa exclui a maioria dos produtos de madeira da lista de isenções, afetando a competitividade no mercado americano.
- A Sudati planeja cortar cem empregos nos próximos dois meses, enquanto a BrasPine e a Millpar implementaram férias coletivas para a maioria de seus trabalhadores.
- O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Juliano Vieira de Araujo, espera que o governo busque negociações com os EUA para mitigar os impactos.
Fabricantes brasileiros de molduras e madeira processada enfrentam grandes desafios devido à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Empresas como Sudati, BrasPine e Millpar já anunciaram demissões e férias coletivas como resposta à queda nas vendas.
A tarifa, que exclui a maioria dos produtos de madeira da lista de isenções, impacta diretamente a competitividade dos itens brasileiros no mercado americano. Juliano Vieira de Araujo, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), destaca que apenas produtos de madeira tropical foram isentos, o que não ajuda a maioria dos fabricantes.
No último ano, os EUA importaram US$ 1,6 bilhão em madeira industrializada, incluindo compensados e molduras. A Sudati, que produz cerca de 600 mil metros quadrados de compensados e MDF anualmente, planeja cortar cem empregos nos próximos dois meses devido à incerteza gerada pela tarifa. A empresa possui cinco fábricas, sendo quatro no Paraná e uma em Santa Catarina.
Ajustes nas Operações
A BrasPine, que tem 60% de sua produção voltada para os EUA, implementou novas férias coletivas desde 22 de julho. Cerca de 60% dos 2,5 mil trabalhadores nas unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba estão em revezamento de férias, enquanto a produção opera com capacidade reduzida.
A Millpar, que fabrica guarnições e molduras, também está enfrentando dificuldades. Desde 14 de julho, 720 dos 1,1 mil trabalhadores estão em férias coletivas. A operação da empresa está praticamente parada, exceto pelas áreas administrativas. O CEO da Millpar, Ettore Giacomet Basile, afirma que as decisões são tomadas com foco na sustentabilidade do negócio.
Expectativas e Negociações
A expectativa de Araujo é que o governo brasileiro busque uma negociação técnica com os EUA, evitando que questões políticas interfiram nas conversas. O setor também se opõe à adoção da lei da reciprocidade, que poderia aumentar os custos e inviabilizar a produção nacional de diversos itens. A situação atual exige que as indústrias se adaptem rapidamente a um cenário de demanda retraída e incertezas econômicas.
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