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Energia sustentável ganha destaque no novo Plano Clima do governo

Governo brasileiro enfrenta críticas por aumentar emissões no setor energético, comprometendo metas de redução de gases de efeito estufa até 2035

Porto Alegre em 14 de maio de 2024 - Maurício Tonetto/Secom (Foto: Maurício Tonetto/Secom)
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  • O governo brasileiro lançou uma consulta pública para o novo Plano Clima, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa até dois mil e trinta e cinco.
  • O foco do plano está nos setores de uso da terra e agropecuária, com metas para diminuir o desmatamento e as emissões agropecuárias.
  • No entanto, o setor de energia pode ver um aumento de até quarenta e quatro por cento nas emissões, devido à dependência de térmicas fósseis.
  • Especialistas criticam a falta de priorização na transição para fontes renováveis e a dependência de tecnologias de captura de carbono ainda em desenvolvimento.
  • O governo finalizou a parte de adaptação do plano, mas a integração entre mitigação e adaptação ainda é insuficiente.

O governo brasileiro lançou a consulta pública para a parte de mitigação do novo Plano Clima, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2035. O esboço do plano foca em setores como uso da terra e agropecuária, onde há potencial significativo para cortes nas emissões. Metas foram estabelecidas para diminuir o desmatamento e as emissões do setor agropecuário, buscando aumentar a credibilidade internacional do Brasil.

Entretanto, o plano apresenta uma contradição preocupante no setor de energia. As emissões podem crescer até 44% na próxima década, com uma dependência crescente de térmicas fósseis. Mesmo em um cenário considerado “ambicioso”, o objetivo é não reduzir as emissões até 2035. A justificativa para essa escolha é a vulnerabilidade do sistema atual às mudanças climáticas, que afetam a geração de energia hidrelétrica.

Crítica ao Setor Energético

A proposta do governo ignora a necessidade de uma transição para fontes renováveis, optando por aumentar a dependência de combustíveis fósseis. Essa abordagem é criticada por especialistas, que afirmam que a resposta à crise climática não deve ser mais térmicas, mas sim a adoção de soluções inovadoras, como armazenamento em larga escala e gestão da demanda.

Além disso, o plano setorial de energia não prioriza a transição dos fósseis, delegando a responsabilidade a tecnologias de captura de carbono que ainda não estão plenamente desenvolvidas. O aumento das emissões no setor energético, que inclui transporte e indústria, pode chegar a 14%, enquanto um cenário alternativo prevê uma redução de 15%, mas sem um caminho claro para sua implementação.

Integração entre Mitigação e Adaptação

A crise climática exige uma integração entre as estratégias de mitigação e adaptação. O governo já finalizou a parte de adaptação do Plano Clima, que propõe soluções para aumentar a resiliência do setor energético, como a modernização das redes e a integração de dados climáticos. No entanto, ainda falta uma conexão efetiva entre as duas partes do plano.

A situação atual evidencia que, enquanto o Brasil busca cortar emissões em setores estratégicos, a dependência de combustíveis fósseis no setor energético pode comprometer os avanços desejados. A necessidade de uma abordagem mais holística e inovadora é urgente para garantir um futuro sustentável e resiliente.

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