- O Brasil possui 740 lixões a céu aberto, com 2.974 alertas de fogo nos últimos dez anos.
- Esses locais, proibidos desde 2010, continuam a existir, impactando a saúde pública e o meio ambiente.
- Em Valparaíso de Goiás, moradores enfrentam problemas respiratórios devido à fumaça de um lixão local.
- A análise do GLOBO, que utilizou inteligência artificial e imagens de satélite, mostra que os incêndios em lixões liberam 6 milhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente.
- A falta de fiscalização e dados atualizados contribui para a permanência desses lixões, que deveriam ter sido eliminados até 2014, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
No Brasil, 740 lixões a céu aberto foram identificados, com 2.974 alertas de fogo nos últimos dez anos, revelando a gravidade da situação. Apesar de serem proibidos desde 2010, esses locais continuam a existir, afetando a saúde pública e o meio ambiente, especialmente com a aproximação da COP30.
Em Valparaíso de Goiás (GO), a fumaça densa se espalha pelo bairro Jardim dos Ipês. Moradores, como Naiara Souza Cardoso, relatam problemas respiratórios devido à fumaça que invade suas casas. A prefeitura tenta conter incêndios em um lixão local, mas sem sucesso. A análise do GLOBO, utilizando inteligência artificial e imagens de satélite, revela que esses incêndios liberam 6 milhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente, o que equivale a duas vezes as emissões de uma cidade como Campinas (SP).
Falta de Fiscalização
A situação é alarmante, com muitos municípios não cumprindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que previa o fim dos lixões até 2014. Especialistas apontam que a falta de dados atualizados e a fiscalização deficiente contribuem para a permanência desses locais. A pesquisa do GLOBO, que analisou cerca de dez mil imagens de satélite, é a maior amostra da localização de lixões clandestinos no Brasil.
O governo do Pará, onde um lixão está localizado próximo à sede da COP30, afirma que a responsabilidade pela gestão dos resíduos é dos municípios. Contudo, muitos não registram adequadamente a localização e o impacto desses depósitos. A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente estima que existam até 3 mil lixões no país, enquanto o IBGE aponta que mais de 1.700 municípios admitem ter esses locais.
Impactos Ambientais
As queimadas em lixões liberam poluentes perigosos, como metano e dioxinas, que agravam a poluição do ar e contribuem para o aquecimento global. O cientista climático Carlos Nobre destaca que a queima de resíduos a céu aberto é uma das principais fontes de poluição atmosférica. A sazonalidade das queimadas, que ocorre principalmente entre maio e outubro, agrava ainda mais a situação.
A falta de controle sobre os lixões é um reflexo de um problema que deveria ter sido resolvido. A análise do GLOBO, que utilizou um algoritmo para identificar focos de calor, mostra que a situação pode ser ainda mais grave do que os dados oficiais indicam. A realidade dos lixões no Brasil é uma questão urgente que precisa ser abordada, especialmente com a COP30 se aproximando.
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