- O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) registrou crescimento de 4% na receita líquida no segundo trimestre de 2025 (2T25), mas suas ações caíram 7,10% após o anúncio dos resultados.
- O Ebitda ajustado aumentou 20 pontos-base, alcançando 9,0%, mas a alavancagem da empresa subiu, gerando preocupações sobre a sustentabilidade das margens.
- As vendas nas mesmas lojas da bandeira Pão de Açúcar cresceram 6,5%, mas as bandeiras Extra e Aliados continuam enfrentando dificuldades.
- A margem bruta caiu para 27,4%, impactada por um ambiente competitivo e menor demanda, embora a redução de 16,5% nas despesas gerais tenha ajudado a expandir a margem Ebitda ajustada.
- A alavancagem aumentou de 2,9 vezes para 3,1 vezes em três meses, com estimativas do Itaú BBA indicando um índice de 5,2 vezes, dificultando a geração de lucro em um cenário de juros altos.
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) apresentou resultados mistos no segundo trimestre de 2025 (2T25), com crescimento de 4% na receita líquida, mas uma queda de 7,10% nas ações após o anúncio. O Ebitda ajustado subiu 20 pontos-base, atingindo 9,0%, mas a alavancagem aumentou, gerando preocupações no mercado.
Os analistas do Itaú BBA e Morgan Stanley destacaram o crescimento de 6,5% nas vendas nas mesmas lojas da bandeira Pão de Açúcar, mas a falta de tração nas bandeiras Extra e Aliados continua a ser um problema. A receita líquida consolidada foi impulsionada por um efeito positivo de calendário, com a Páscoa ocorrendo em abril, mas o crescimento ajustado foi de apenas 5,1%.
Desempenho Operacional
A margem bruta caiu para 27,4%, impactada por um ambiente competitivo e menor demanda. No entanto, a redução de 16,5% nas despesas gerais e administrativas ajudou a expandir a margem Ebitda ajustada. Um fator pontual foi a indenização tributária de R$ 100 milhões, que beneficiou a linha de “outras receitas operacionais”.
Apesar dos avanços operacionais, a sustentabilidade das margens é questionada, especialmente com a desaceleração das vendas. A Genial Investimentos observou que a companhia interrompeu sua meta de abrir 300 lojas entre 2022 e 2026, com 213 unidades já inauguradas. A empresa parece disposta a cortar despesas e investimentos no segundo semestre.
Desafios Financeiros
A alavancagem da empresa aumentou, com o índice de dívida líquida sobre Ebitda ajustado subindo de 2,9x para 3,1x em três meses. O Itaú BBA estima um índice ainda mais conservador de 5,2x. A pressão financeira continua, especialmente com juros em 15% ao ano no Brasil, dificultando a geração de lucro.
Os analistas sugerem que uma possível reformulação na joint venture financeira com o Itaú pode ser uma alternativa para melhorar a situação. A falta de grandes ativos para venda e o espaço limitado para expansão física são desafios que a empresa precisa enfrentar para reavaliar o valor de suas ações.
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