- O Banco Central do Brasil manteve a Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, devido à inflação elevada e incertezas econômicas.
- A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, projeta cortes de juros a partir de dezembro, com a Selic podendo chegar a 14,50% ao ano até o final de 2025.
- Vitória acredita que a inflação mais baixa e um impulso fiscal reduzido podem permitir o início de um ciclo de cortes.
- Ela prevê uma redução de 0,50 ponto percentual na reunião de dezembro, com a Selic podendo atingir 12% ao ano até 2026.
- A política fiscal do governo Lula é uma preocupação, com gastos adicionais de R$ 120 bilhões previstos até o final do ano, o que pode impactar a confiança do mercado.
O Banco Central do Brasil manteve a Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, em meio a um cenário de inflação elevada e incertezas econômicas, especialmente relacionadas às tarifas de importação dos EUA. No entanto, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, projeta cortes de juros a partir de dezembro, com uma Selic de 14,50% ao ano até o final de 2025, dependendo da evolução fiscal e do orçamento do governo Lula.
A economista acredita que um quadro de inflação mais benigno e um menor impulso da política fiscal em 2025 podem permitir que o Banco Central inicie um ciclo de cortes. Em entrevista à Bloomberg Línea, Vitória destacou que a política monetária, embora restritiva, já está mostrando efeitos visíveis na desaceleração dos preços, tanto em bens comercializáveis quanto em serviços. Ela enfatizou que “a política monetária funciona”, embora tenha uma defasagem.
Expectativas de Corte
Vitória prevê um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de dezembro, com uma trajetória de redução gradual ao longo de 2026, podendo chegar a 12% ao ano. Esse nível ainda seria considerado restritivo, ajudando a desacelerar a atividade econômica sem causar um impacto severo. A economista alertou que “não há necessidade de uma Selic de 15% ao ano por tanto tempo”, pois isso representa um custo elevado para a dívida pública.
Além disso, Vitória comentou sobre os impactos das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, que podem ter um efeito deflacionário no curto prazo, favorecendo a política monetária. Contudo, ela também destacou os riscos associados à desaceleração do comércio global e os possíveis fechamentos de fábricas no Brasil, que poderiam aumentar o desemprego em regiões exportadoras.
Desafios Fiscais
A política fiscal do governo Lula continua sendo uma preocupação. Apesar de um crescimento menor das despesas no primeiro semestre, a expectativa de gastos adicionais de R$ 120 bilhões até o final do ano pode reverter esse cenário. Vitória observou que o governo tem demonstrado uma intenção de aumentar os gastos, o que gera incertezas para 2026.
Para que a Selic possa ser reduzida a patamares mais neutros, entre 8% e 9% ao ano, seria necessário um arcabouço fiscal mais confiável. Vitória concluiu que “hoje o mercado não tem essa confiança” e que um espaço maior para cortes de juros deve surgir após as eleições de 2026, independentemente do vencedor, com uma nova proposta de ajuste fiscal.
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