- Os países árabes estão aumentando as importações de produtos brasileiros, especialmente café e carne bovina, devido ao aumento das tarifas dos Estados Unidos.
- Um estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira indica que a nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos aos EUA, em vigor desde 6 de agosto, cria oportunidades para o Brasil.
- Em 2024, o Brasil exportou US$ 513,83 milhões em café verde para os países árabes, enquanto as vendas para os EUA totalizaram US$ 1,896 bilhão.
- O Egito, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm potencial para aumentar as importações de carne bovina, com o Egito importando US$ 927,12 milhões em 2024, dos quais apenas US$ 273,07 milhões vieram do Brasil.
- A Câmara Árabe propõe um plano de ação para diversificar o comércio e facilitar acordos comerciais, com o Mercosul buscando fechar acordos de livre comércio com países árabes.
Os países árabes estão ampliando suas importações de produtos brasileiros, especialmente café e carne bovina, como resposta ao aumento das tarifas dos Estados Unidos. Um estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira revelou que a nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos aos EUA, em vigor desde o dia 6, abre oportunidades significativas para o Brasil.
O estudo identificou 13 produtos brasileiros que podem ser redirecionados para o mercado árabe. O café verde, por exemplo, teve exportações de US$ 513,83 milhões para os países árabes em 2024, enquanto as vendas para os EUA somaram US$ 1,896 bilhão. A Arábia Saudita, Kuwait e Argélia são apontados como mercados promissores para o aumento das compras de café brasileiro.
Na carne bovina, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita também têm potencial para aumentar as importações. Em 2024, o Egito importou US$ 927,12 milhões em carne bovina, mas apenas US$ 273,07 milhões vieram do Brasil. O Brasil exportou US$ 1,211 bilhão de carne bovina para os países árabes, em comparação com US$ 885 milhões para os EUA.
Oportunidades e Desafios
Além dos produtos já conhecidos, há espaço para a exportação de itens como produtos semimanufaturados de ferro e aço, que ainda não têm presença significativa no mercado árabe. A Câmara Árabe destaca que as tarifas para produtos brasileiros nos países árabes variam de zero a 30%, enquanto os EUA impõem tarifas de 50%.
O secretário-geral da Câmara, Mohamad Mourad, enfatiza que os países árabes apresentam crescimento populacional e econômico acima da média global, tornando-se um mercado estratégico para o Brasil. Ele sugere que o governo e as empresas brasileiras priorizem esses mercados para mitigar os impactos das tarifas americanas.
Em 2024, o Brasil alcançou um recorde de US$ 23,68 bilhões em exportações para os países árabes, com um superávit de US$ 13,50 bilhões. Os Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita lideram as importações. A expectativa é que as vendas externas do Brasil à Liga Árabe se mantenham estáveis ou cresçam levemente neste ano.
Estratégias de Expansão
A Câmara Árabe propõe um plano de ação em três frentes: sensibilização, diversificação do comércio e facilitação. As ações incluem a promoção de produtos com alta atratividade tarifária, apoio à adaptação das empresas brasileiras às exigências locais e fortalecimento de acordos comerciais.
O Mercosul também é incentivado a fechar acordos de livre comércio com países árabes. As negociações estão em andamento com Tunísia, Marrocos, Jordânia e Líbano, além de um acordo já existente com o Egito, que dobrou as exportações brasileiras ao país desde 2010.
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