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Sete em dez moradores de favelas preferem empreender a ser CLT no Brasil

Moradores de favelas buscam no empreendedorismo uma alternativa ao emprego formal, impulsionados por benefícios sociais e novas oportunidades de negócio

Vista panorâmica da favela de Paraisópolis, em São Paulo (Foto: Anderson Jorge/Folhapress)
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  • Uma pesquisa do Data Favela, realizada entre três e seis de julho, mostra que setenta e três por cento dos moradores de favelas no Brasil veem o empreendedorismo como uma alternativa mais viável que o trabalho formal com carteira assinada (CLT).
  • Trinta e cinco vírgula seis por cento dos entrevistados já possuem negócios próprios.
  • O Brasil tem doze mil trezentas e quarenta e oito favelas, com uma população de dezessete milhões duzentas mil pessoas.
  • Setenta e nove por cento dos empreendedores desejam expandir seus negócios nos próximos doze meses, enquanto apenas nove por cento buscam emprego formal.
  • Sessenta e nove vírgula sete por cento consideram usar benefícios sociais, como o Bolsa Família, para iniciar um negócio.

Empreendedorismo em Favelas: Uma Nova Realidade no Brasil

Uma pesquisa do Data Favela, realizada entre 3 e 6 de julho, revela que 73% dos moradores de favelas no Brasil consideram o empreendedorismo uma alternativa mais viável que o trabalho formal com carteira assinada (CLT). O estudo, que entrevistou 16.521 pessoas, mostra que 35,6% já possuem negócios próprios, refletindo uma mudança significativa na percepção sobre o trabalho.

O Brasil abriga 12.348 favelas, onde residem 17,2 milhões de pessoas. Para muitos, empreender se tornou uma opção mais acessível do que buscar um emprego formal. Renato Meirelles, fundador do Data Favela, destaca que o negócio próprio passou a ser um projeto de vida para os moradores. A pesquisa indica que 79% dos empreendedores desejam expandir seus negócios nos próximos 12 meses, enquanto apenas 9% buscam um emprego com carteira assinada.

Mudanças no Mercado de Trabalho

Marcus Vinícius Athayde, presidente da Cufa Global, observa que a valorização da CLT diminuiu, especialmente após a pandemia e a popularização de métodos de pagamento como o Pix. Ele ressalta que a informalidade sempre foi comum nas favelas, mas o desejo por empregos formais era mais forte anteriormente. A pesquisa Datafolha confirma essa tendência, mostrando uma queda de dez pontos percentuais na importância atribuída ao trabalho com carteira.

Além disso, 69,7% dos entrevistados consideram usar benefícios sociais, como o Bolsa Família, para iniciar um negócio. Meirelles afirma que esses benefícios se tornaram uma alavanca de capital nas comunidades, permitindo que os moradores invistam em seus empreendimentos.

Desafios da Informalidade

Apesar do crescimento do empreendedorismo, apenas 26% dos empreendedores nas favelas possuem registro formal, como CNPJ ou MEI. Athayde alerta que, embora as pessoas vejam vantagens em trabalhar por conta própria, muitas ainda carecem de informações sobre a importância da formalização e da proteção social.

A pesquisa evidencia um ecossistema vibrante nas favelas, onde a criatividade e a inovação estão em alta. Cozinhas se transformam em dark kitchens, lajes em estúdios de conteúdo e becos em corredores logísticos. Essa nova realidade reflete a busca por autonomia e melhores condições de vida entre os moradores.

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