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Mercado ajusta previsões após IPCA abaixo do esperado e antecipa cortes na Selic

Mercado financeiro ajusta previsões de inflação e aposta em cortes na taxa Selic a partir de dezembro, impulsionado pela queda do IPCA

Distrito Federal - Brasília vista do lago Paranoá. Sede do Banco Central (Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo)
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  • O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,35% em junho para 5,23% em julho, o menor índice em cinco meses.
  • Essa queda levou o mercado financeiro a revisar as projeções de inflação, com alguns analistas acreditando que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode iniciar cortes na taxa Selic em dezembro.
  • A desaceleração da inflação foi impulsionada pela redução nos preços de alimentos e vestuário, além de menor pressão no grupo Habitação.
  • A Monte Bravo ajustou sua previsão do IPCA de 5,3% para 5,0%, enquanto a XP revisou de 5,0% para 4,8%.
  • Economistas divergem sobre o momento dos cortes na Selic, com alguns prevendo apenas para 2026 e outros acreditando em um corte de meio ponto em dezembro, dependendo da desaceleração econômica.

O IPCA acumulado em 12 meses caiu de 5,35% em junho para 5,23% em julho, o menor índice em cinco meses. Esse resultado levou o mercado financeiro a revisar suas projeções de inflação, com alguns analistas acreditando que o Copom pode iniciar cortes na taxa Selic já em dezembro deste ano.

A desaceleração da inflação foi impulsionada pela queda nos preços de alimentos e vestuário, além de uma pressão menor no grupo Habitação. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, revisou sua projeção para o IPCA em 2025, reduzindo-a de 4,99% para 4,86%. Ele acredita que a valorização do real, que já acumula 3,4% de ganhos frente ao dólar neste mês, pode facilitar uma redução no preço da gasolina pela Petrobras nas próximas semanas.

Expectativas do Mercado

A Monte Bravo ajustou sua previsão do IPCA de 5,3% para 5,0%, enquanto a XP fez uma revisão de 5,0% para 4,8%. Apesar das revisões otimistas, Alexandre Maluf, economista da XP, mantém a expectativa de que o Copom só deve iniciar cortes na Selic em janeiro de 2026. Por outro lado, André Valério, economista sênior do Banco Inter, acredita que um corte inicial de meio ponto pode ocorrer na reunião de dezembro, dependendo de sinais mais claros de desaceleração econômica.

O coordenador de Índices de Preços do FGV IBRE, André Braz, considera a queda do IPCA um sinal positivo e espera que essa tendência continue. Ele ressalta que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, é alta e que uma redução seria benéfica para a economia.

Análise Setorial

Economistas como Gustavo Sung, da Suno Research, projetam que cortes na Selic só devem ocorrer em 2026, apesar da melhora nas expectativas de inflação. Natalie Victal, da SulAmérica Investimentos, confirma um cenário favorável, mas alerta que os serviços ainda apresentam desafios. A deflação nos alimentos, segundo Daniel Teles, da Valor Investimentos, pode ser reflexo de políticas tarifárias recentes, enquanto Denis Medina, professor da Faculdade do Comércio, corrobora essa análise.

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