- A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) da China, lançada em 2013, registrou um recorde de US$ 123 bilhões em acordos em 2025.
- Apenas 1,14% desse total foi destinado à América Latina, indicando uma queda significativa nos investimentos na região.
- No primeiro semestre de 2025, os contratos incluíram US$ 66 bilhões para obras e US$ 57 bilhões para investimentos, com destaque para o setor de energia verde, que recebeu US$ 9,7 bilhões.
- A diminuição nos investimentos é atribuída à redução de empréstimos de bancos estatais chineses e a preocupações com impactos socioambientais.
- Apesar da queda nos investimentos, o comércio entre China e América Latina alcançou US$ 518 bilhões em 2024, com novas áreas de foco, como veículos elétricos e energia renovável.
A Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) da China, lançada em 2013, continua a ser um programa global de infraestrutura, mas a América Latina enfrenta uma queda significativa em investimentos. Em 2025, a BRI alcançou US$ 123 bilhões em acordos, com apenas 1,14% desse total destinado à região.
No primeiro semestre de 2025, a BRI registrou um recorde de US$ 123 bilhões em contratos, dos quais US$ 66 bilhões foram para obras e US$ 57 bilhões para investimentos. O setor de energia verde, incluindo eólica e solar, recebeu US$ 9,7 bilhões, enquanto o petróleo e gás somaram US$ 30 bilhões. Apesar do crescimento em outras regiões, a América Latina viu uma diminuição nos acordos, refletindo uma mudança na estratégia de investimentos da China.
A queda nos investimentos na América Latina é atribuída a diversos fatores, incluindo a diminuição dos empréstimos de bancos estatais chineses e a crescente preocupação com os impactos socioambientais de grandes projetos. Margaret Myers, do Instituto para a América, China e o Futuro das Relações Internacionais, destacou que as empresas chinesas estão buscando minimizar riscos, optando por projetos menores ou evitando aqueles potencialmente problemáticos.
Mudanças nas Relações
A relação entre a China e a América Latina permanece sólida, apesar da queda nos investimentos da BRI. O comércio entre as duas regiões atingiu US$ 518 bilhões em 2024, consolidando a China como o segundo maior parceiro comercial da América Latina. Tulio Cariello, do Conselho Empresarial Brasil-China, afirmou que, embora o Brasil não faça parte formalmente da BRI, o país está integrado ao espírito da iniciativa por meio de investimentos em infraestrutura.
Além disso, novas áreas de foco estão emergindo nas relações bilaterais, como veículos elétricos e energia renovável. Empresas chinesas estão investindo em setores inovadores na América Latina, com destaque para a produção de veículos elétricos no Brasil e a exploração de minerais críticos, como lítio e cobre, no Chile e na Argentina.
Apesar dos desafios, a China continua a ver a América Latina como uma prioridade estratégica, especialmente em termos de segurança alimentar e energética. A região desempenha um papel crucial na oferta de produtos agrícolas e minerais, essenciais para a economia industrial chinesa.
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