- A Bolívia enfrenta uma crise econômica com inflação de 25%, a mais alta em 34 anos, e desconfiança nas instituições.
- A moeda local, o boliviano, desvalorizou, levando a população a buscar alternativas, como as criptomoedas.
- O uso de criptomoedas aumentou cinco vezes, totalizando quase US$ 300 milhões nos primeiros seis meses de 2025.
- Empresas de diversos setores, como cafeterias e universidades, já aceitam ativos digitais, e a demanda por soluções financeiras alternativas cresce.
- A adoção de criptomoedas se intensifica com a escassez de dólares e a necessidade de realizar transações urgentes.
A Bolívia enfrenta uma crise econômica severa, marcada por inflação de 25%, a mais alta em 34 anos, e desconfiança nas instituições. A moeda local, o boliviano, desvalorizou, levando a população a buscar alternativas para proteger suas economias. Nesse cenário, o uso de criptomoedas disparou, com pagamentos digitais aumentando cinco vezes, totalizando quase US$ 300 milhões nos primeiros seis meses de 2025.
Desde que a proibição de criptomoedas foi suspensa, a adoção tem sido rápida. Empresas de diversos setores, de cafeterias a universidades, já aceitam ativos digitais. Um vendedor no Aeroporto Internacional de El Alto, por exemplo, lista preços em USDT, uma stablecoin. A crescente utilização de criptomoedas é impulsionada pela escassez de dólares e pela necessidade de realizar transações urgentes. Oswaldo Barriga, líder empresarial local, afirma que as criptomoedas se tornaram uma alternativa viável.
A situação econômica da Bolívia é crítica, com déficits orçamentários por 11 anos consecutivos e dívidas em moeda estrangeira que equivalem a um quarto da economia. A indústria de gás natural, uma das principais fontes de receita, enfrenta dificuldades. A inflação e a alta taxa fixa do boliviano tornaram os produtos importados excessivamente caros, levando a população a buscar soluções alternativas.
Adoção de Criptomoedas
A desconfiança nas instituições tradicionais também contribui para a popularidade das criptomoedas. Christopher Salas, um vendedor de café em La Paz, destaca que aceitar Bitcoin é uma forma de preservar o valor de suas economias e uma maneira de contestar o sistema. A facilidade de acesso a criptomoedas contrasta com a dificuldade de conseguir dólares, que muitas vezes só estão disponíveis no mercado negro a preços elevados.
Carlos Neira, cofundador da Meru, uma plataforma de carteiras cripto, observa um aumento de 6.600% no número de usuários bolivianos desde a revogação da proibição. Apesar dos riscos associados, como a instabilidade de algumas stablecoins, a Bolívia se destaca como um possível epicentro do ecossistema cripto na América Latina. Influenciadores locais promovem as criptomoedas como uma alternativa para a liberdade financeira.
Perspectivas Futuras
Com as eleições presidenciais se aproximando, a crise econômica já está profundamente enraizada na vida dos bolivianos. A adoção de criptomoedas parece transcender o resultado eleitoral. Enquanto empresas locais se adaptam à demanda crescente, a Red Enlace, uma processadora de cartões de crédito, está implementando atualizações para permitir que varejistas aceitem USDT. A necessidade de soluções financeiras alternativas continua a impulsionar a adoção de criptomoedas na Bolívia.
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