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Exportações de pescado caem com tarifas dos EUA e afetam cadeia de 30 anos

Setor pesqueiro brasileiro enfrenta colapso com tarifas dos EUA, impactando exportações e gerando insegurança no emprego e na produção

Funcionários da fábrica da Frescatto processam o pescado (Foto: Guito Moreto)
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  • A exportação do setor pesqueiro brasileiro enfrenta uma crise devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos.
  • Em 2024, trinta milhões de toneladas de pescado, representando cinquenta e dois por cento das vendas, foram enviadas para o mercado americano.
  • No primeiro semestre de 2025, as exportações totalizaram R$ 177,2 milhões, com sessenta e dois por cento desse valor destinado aos EUA.
  • O estado do Pará, um dos maiores exportadores, viu suas vendas para os EUA paralisadas, com uma queda nas exportações de cinco mil e quinhentas toneladas em 2024 para duas mil e trezentas toneladas em 2025.
  • O presidente do Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura, Carlos Eduardo Villaça, pede ao Ministério da Pesca que facilite o cadastro para exportação, especialmente para produtos certificados.

A exportação do setor pesqueiro brasileiro enfrenta uma crise severa após a implementação de tarifas pelo governo dos Estados Unidos. Em 2024, 30 milhões de toneladas de pescado, representando 52% das vendas, foram destinadas ao mercado americano. No primeiro semestre de 2025, as exportações totalizaram US$ 177,2 milhões, com 62,9% desse valor para os EUA. Contêineres prontos para embarque estão retornando aos portos, impactando a cadeia produtiva e gerando insegurança no emprego.

Carlos Eduardo Villaça, presidente do Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe), destaca que a interrupção do mercado americano afeta uma cadeia estabelecida há décadas. Ele observa que o Brasil consome principalmente filé, enquanto o mercado dos EUA prefere peixe inteiro. O pacote de apoio do governo foi bem recebido, mas Villaça alerta que não abrange adequadamente a pesca artesanal, que representa uma parte significativa da produção.

Impactos no Mercado

O estado do Pará, um dos maiores exportadores, paralisou suas vendas para os EUA, onde 50% de suas exportações eram destinadas. Apoliano do Nascimento, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Estado do Pará (Sinpesca), afirma que a crise começou em 2018, com a suspensão das importações pela União Europeia. Em 2024, o Pará exportou 5,5 mil toneladas para os EUA, gerando US$ 275 milhões. No primeiro semestre de 2025, as exportações caíram para 2.300 toneladas, resultando em US$ 172 milhões.

A transferência da produção para outros mercados, como a China, é complexa. Desde a pandemia, os frigoríficos brasileiros enfrentam dificuldades para atender aos protocolos de exportação. Villaça pede ao Ministério da Pesca que facilite o cadastro para exportação, especialmente para produtos certificados. No mercado interno, a corvina, que antes ia para os EUA, será redirecionada, o que pode levar a uma redução nos preços.

Desafios Futuros

A crise no setor pesqueiro não é isolada; outras proteínas, como aves e suínos, também enfrentam desafios semelhantes. A mudança de mercado pode desestabilizar o consumo interno, que já possui hábitos tradicionais. A interligação entre produção, processamento e exportação é crucial. Sem atenção à produção, não haverá matéria-prima para atender ao mercado interno ou externo. A situação exige uma abordagem integrada para garantir a sustentabilidade do setor pesqueiro brasileiro.

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