- A crise de hospedagem em Belém do Pará se intensifica com a aproximação da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro.
- Despejos em massa de moradores locais estão acontecendo para acomodar locações temporárias, gerando preocupações sobre a exclusão social.
- A cidade possui 53 mil leitos disponíveis, mas apenas 27,4% são de hotéis. A alta demanda fez com que diárias chegassem a R$ 6.300,00.
- Delegações de 27 países expressaram preocupação com a falta de acomodações acessíveis. O governo brasileiro tenta garantir hospedagens para todos, especialmente para países em desenvolvimento.
- O governo busca evitar abusos nos preços e conectar movimentos sociais a opções de hospedagem mais acessíveis.
A crise de hospedagem em Belém do Pará, que se intensifica com a aproximação da COP30, está gerando preocupações tanto para os moradores locais quanto para as delegações internacionais. O evento, marcado para ocorrer entre 10 e 21 de novembro, já resulta em despejos em massa, com inquilinos sendo forçados a deixar seus lares para dar espaço a locações temporárias.
Dados do Ministério do Turismo indicam que a cidade possui 53 mil leitos disponíveis, mas a maior parte não é oferecida por hotéis. Apenas 27,4% dos leitos são de hotéis, enquanto 60% são de imóveis residenciais e plataformas como o Airbnb. A alta demanda e a baixa oferta de quartos têm levado a preços exorbitantes, com diárias que podem chegar a R$ 6.300 em alguns casos.
A situação é ainda mais complicada para as delegações, que enfrentam dificuldades para encontrar acomodações adequadas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Pará, Toni Santiago, destacou que a transformação de leitos em quartos é um desafio, pois delegados geralmente não compartilham acomodações. Isso reduziu a oferta de 22 mil leitos para apenas 7 mil quartos disponíveis.
Despejos e Críticas
Moradores como Ana Carolina e Juliana Braga relatam experiências de despejo abrupto, com a busca por novos lares se tornando um desafio diante dos preços altos. O governo municipal e estadual afirmam que não podem intervir em contratos de aluguel, mas a situação gerou críticas, com o Observatório do Clima alertando sobre a exclusão social durante a COP30.
Delegações de 27 países expressaram preocupação com a falta de acomodações acessíveis. O governo brasileiro, por sua vez, está tentando garantir que todos os países tenham acesso a hospedagens, especialmente aqueles em desenvolvimento. O ministro do Turismo, Celso Sabino, anunciou que 530 apartamentos em hotéis cinco estrelas estão disponíveis por US$ 100 a diária para delegados menos favorecidos.
Medidas em Andamento
O governo também está buscando soluções para evitar abusos nos preços. Sabino reconheceu que, embora existam práticas abusivas, a ampla oferta de leitos deve ajudar a regular os preços. Além disso, esforços estão sendo feitos para conectar movimentos sociais a opções de hospedagem mais acessíveis.
A COP30 é vista como uma oportunidade para Belém, mas a logística e a crise de hospedagem podem impactar as negociações climáticas. O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia da Silva, reconheceu a complexidade da situação e a pressão por soluções, enquanto o tempo para o evento se esgota.
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