- Compradores americanos de café estão evitando novos contratos com o Brasil devido à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos desde 6 de agosto.
- A tarifa, que começou em 10% em abril, é resultado de tensões políticas após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Torrefadores e exportadores estão buscando alternativas em países como Peru, México e América Central.
- O comércio de café entre os EUA e o Brasil está paralisado, com um terço do café não torrado consumido nos EUA vindo do Brasil.
- Torrefadores menores enfrentam dificuldades para repassar os altos custos das tarifas aos clientes.
Os compradores americanos de café estão evitando novos contratos com o Brasil, o maior produtor mundial, devido à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que entrou em vigor em 6 de agosto. A medida, que se seguiu a uma tarifa inicial de 10% em abril, é parte de um contexto de tensões políticas entre os dois países após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
A situação levou torrefadores e exportadores a buscarem alternativas em outros países, como Peru, México e América Central. O diretor de inovação da Zaza Coffee, JP Juarez, afirmou que a empresa possui estoque para 14 a 16 semanas, mas não planeja novos pedidos de café brasileiro enquanto as tarifas permanecerem elevadas. “No cenário de manter as tarifas nesses níveis, provavelmente não vamos pedir café brasileiro”, disse Juarez.
Impacto no Comércio
O comércio de café entre os EUA e o Brasil está “totalmente paralisado”, segundo o corretor de café Thiago Cazarini. Cerca de um terço do café não torrado consumido nos EUA vem do Brasil, tornando a situação ainda mais crítica. Christian Wolthers, CEO da importadora Wolthers Douqué, destacou que a participação dominante do Brasil torna seus grãos quase insubstituíveis, especialmente o café arábica, essencial para marcas como a Starbucks.
Com as tarifas elevadas, as importações de café de outros países podem aumentar. O Departamento de Agricultura dos EUA aponta que o Vietnã, que produz principalmente robusta, pode se beneficiar, já que suas tarifas são significativamente mais baixas. A vice-presidente da Café Aroma, Bernadette Gerrity, mencionou que a empresa está buscando cafés com tarifas mais previsíveis.
Desafios para Torrefadores
Torrefadores menores, como a Ritual Coffee Roasters, enfrentam dificuldades para absorver os custos das tarifas. Daria Whalen, diretora da empresa, afirmou que “parte disso tem que ser repassada aos clientes — e 50% parece ser algo impressionante e intransponível”. A situação atual reflete um cenário de incerteza e adaptação no mercado de café, com os EUA buscando alternativas enquanto as tarifas permanecem elevadas.
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