- O governo argentino, liderado por Javier Milei, aumentou as exigências de liquidez para os bancos, que agora devem manter reservas diárias.
- As novas regras geraram descontentamento entre as instituições financeiras, que consideram as exigências ineficientes e onerosas.
- Desde julho, o governo tem retirado pesos do mercado, resultando em uma desvalorização de mais de 12% do peso em agosto.
- As taxas de juros reais dispararam, e a crise de liquidez dificultou o refinanciamento da dívida em pesos, com apenas 61% do montante vencido em agosto sendo coberto.
- As ações de bancos como Banco Galicia, Banco Santander e Banco Macro caíram até 8,2% em Nova York, refletindo a pressão das novas medidas.
O governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, intensificou suas medidas econômicas para estabilizar o peso e conter a inflação, que já havia sofrido uma desvalorização significativa. Recentemente, novas exigências foram impostas aos bancos, que agora devem cumprir requisitos de liquidez diariamente, gerando tensões entre o governo e as instituições financeiras.
As novas regras exigem que os bancos mantenham uma quantidade mínima de recursos em caixa a cada dia, em vez de mensalmente. Essa mudança foi recebida com descontentamento, pois os banqueiros consideram as exigências ineficientes e onerosas. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que a resposta do governo será sempre a absorção de pesos em circulação.
Desde julho, o governo começou a retirar pesos do mercado, vendendo dívidas em moeda local, o que resultou em uma desvalorização de mais de 12% do peso em agosto. As taxas de juros reais dispararam, alcançando dois dígitos, e a crise de liquidez se agravou, dificultando o refinanciamento da dívida em pesos. O governo conseguiu cobrir apenas 61% do montante vencido em agosto.
Tensão com os Bancos
As tensões entre o governo e os bancos aumentaram, com instituições como Banco Galicia, Banco Santander e Banco Macro preparando um documento com recomendações para o Banco Central. Durante uma reunião virtual, o chefe de emissão do banco central, Darío Stefanelli, enfrentou uma série de reclamações sobre as novas regras, mas se limitou a explicar as normas.
As novas exigências de reservas pressionaram os bancos a buscar pesos em um mercado já escasso, elevando os custos de captação. As taxas de recompra de um dia dispararam para 80% ao ano, enquanto notas do governo atingiram 71% no mercado secundário. Especialistas alertam que bancos menores podem enfrentar dificuldades maiores, enquanto os custos de financiamento superam 44%.
A situação financeira dos bancos está sob pressão, e a queda na lucratividade deve se refletir nos próximos relatórios financeiros. As ações de instituições financeiras caíram até 8,2% em Nova York, evidenciando o impacto das novas medidas do governo sobre o setor.
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