- A Braskem enfrenta dificuldades financeiras após anos de retração no setor petroquímico e um desastre ambiental que afetou sua classificação de crédito.
- As agências de classificação Moody’s e Fitch rebaixaram o rating da empresa, citando queima de caixa persistente e aumento da dívida.
- No segundo trimestre, a Braskem consumiu R$ 1,45 bilhão em caixa, elevando preocupações sobre sua liquidez.
- A dívida líquida da companhia alcançou US$ 6,8 bilhões, representando 10,6 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) dos últimos doze meses.
- A empresa está considerando refinanciamento da dívida de curto prazo e já iniciou conversas sobre opções de financiamento, incluindo operações de sale-leaseback e monetização de créditos tributários.
A Braskem enfrenta um momento crítico após anos de dificuldades no setor petroquímico, exacerbadas por um desastre ambiental que impactou sua classificação de crédito. Recentemente, as agências de classificação Moody’s e Fitch rebaixaram o rating da empresa, citando resultados financeiros desanimadores e uma queima de caixa persistente. No segundo trimestre, a Braskem consumiu R$ 1,45 bilhão em caixa, elevando preocupações sobre sua liquidez e a necessidade de refinanciamento.
O rebaixamento da Fitch, que reduziu a nota da Braskem para BB-, foi o segundo deste ano. O analista Marcelo Pappiani alertou que, se a empresa continuar nesse ritmo, poderá não ter caixa suficiente para cumprir suas obrigações. A dívida líquida da companhia aumentou para US$ 6,8 bilhões, representando 10,6 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) dos últimos 12 meses.
Desafios e Estratégias
A Braskem está considerando refinanciar sua dívida de curto prazo e já iniciou conversas com stakeholders sobre opções de financiamento. As medidas incluem operações de sale-leaseback e monetização de créditos tributários. O CEO Roberto Ramos destacou a necessidade de reduzir custos e melhorar o desempenho operacional.
Os títulos em dólar da Braskem, que apresentaram uma perda média de 10,7% no último mês, estão sob pressão devido a um aumento no rendimento exigido pelos investidores. O rendimento dos títulos com vencimento em 2030 alcançou 15,7%, um salto em relação aos 9% de três meses atrás. A empresa possui uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão com vencimento em dezembro de 2026, o que oferece alguma margem de manobra.
Perspectivas Futuras
Apesar das dificuldades, a Braskem não enfrenta vencimentos significativos até 2028. No entanto, a analista Carolina Chimenti, da Moody’s, alertou que a empresa precisa agir rapidamente para evitar riscos de refinanciamento. A situação é complicada pela incerteza em torno de uma possível aquisição por Nelson Tanure, que pode impactar ainda mais a estrutura financeira da companhia.
Enquanto isso, a Petrobras, coproprietária da Braskem, manifestou interesse em aumentar sua participação, o que pode trazer novas dinâmicas para a empresa. A Braskem deve focar em ações que melhorem sua liquidez e desempenho, enquanto navega por um ambiente de mercado desafiador.
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