- Os preços do café arábica subiram mais de 30% em agosto, atingindo cerca de US$ 3,74 por libra-peso, após a imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras.
- A medida, que começou em 6 de agosto, gerou incertezas no mercado e levou torradores americanos a suspender novas aquisições do Brasil.
- A safra brasileira de 2025 teve rendimento 10% menor do que o esperado, e a geada no Cerrado Mineiro pode impactar a produção futura.
- A demanda por café da Europa e Ásia aumentou, com países como a Alemanha ampliando as importações para reexportação, aproveitando tarifas menores.
- Exportadores brasileiros enfrentam custos adicionais e incertezas, mas a alta nos preços pode pressionar o governo dos EUA a reconsiderar as tarifas.
O mercado global de café arábica experimentou uma alta significativa de mais de 30% em agosto, após um período de desaceleração. Essa valorização é atribuída ao tarifão de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, que começou em 6 de agosto. O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, destacou que essa medida “bagunçou” o mercado, criando incertezas sobre os limites dessa nova alta.
Os preços do café arábica na bolsa ICE, em Nova York, atingiram cerca de US$ 3,74 (R$ 20,27) por libra-peso, comparado a US$ 2,80 (R$ 15,18) no final de julho. Em fevereiro, os preços superaram US$ 4,25 (R$ 23,04). Ferreira observou que a safra brasileira de 2025 teve um rendimento 10% menor do que o esperado, e a geada no Cerrado Mineiro pode impactar a produção futura.
Impacto da Tarifa
A tarifa dos EUA gerou um ambiente de incerteza que afetou as compras de café. Torradores americanos suspenderam novas aquisições do Brasil, buscando alternativas na América Central e na Colômbia, onde os preços estão mais altos. Ferreira enfatizou que essa incerteza atrai investidores para o mercado, favorecendo a especulação.
Além disso, a demanda por café da Europa e Ásia aumentou, embora não necessariamente por um crescimento no consumo. Países como a Alemanha estão ampliando as importações de café verde para reexportação, aproveitando tarifas menores em comparação às impostas ao Brasil. Ferreira explicou que essa movimentação não configura uma triangulação, mas sim uma estratégia de reexportação.
Desafios e Oportunidades
Os exportadores brasileiros enfrentam custos adicionais devido à rolagem de contratos e pedidos de adiamento de embarques. Ferreira acredita que a alta nos preços pode pressionar o governo dos EUA a reconsiderar as tarifas. Embora os produtores brasileiros estejam se beneficiando dos preços elevados, há preocupações sobre a perda do mercado americano no futuro, já que a alta pode incentivar o cultivo em outras regiões do mundo.
Os cafeicultores, capitalizados pelos preços recordes do início do ano, estão adotando uma postura cautelosa na comercialização, em um cenário de incertezas.
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