- O economista Dani Rodrik criticou o “tarifaço” de Donald Trump durante um seminário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
- Rodrik afirmou que as tarifas não vão reconstruir a indústria americana nem fortalecer a classe média nos Estados Unidos.
- Ele destacou que as tarifas podem aumentar lucros de algumas empresas, mas não garantem empregos de qualidade.
- Uma nova tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos entrou em vigor, afetando 35,9% das mercadorias.
- O governo brasileiro lançou o Plano Brasil Soberano, que isenta cerca de 700 produtos da sobretaxa.
O “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe tarifas sobre produtos importados, é criticado por sua ineficácia em estimular a economia americana. O economista Dani Rodrik, da Universidade de Harvard, afirmou durante um seminário do BNDES que essa política não alcançará os objetivos de reconstrução da indústria e fortalecimento da classe média nos EUA.
Rodrik destacou que as tarifas, embora possam aumentar a arrecadação e os lucros de algumas empresas, não garantem a criação de empregos de qualidade. Ele afirmou que “as tarifas apenas aumentam a lucratividade de certos segmentos da manufatura”, sem necessariamente resultar em inovação ou investimentos em trabalhadores. Para ele, as tarifas devem ser medidas temporárias, associadas a políticas internas que realmente estimulem a economia.
Recentemente, entrou em vigor uma tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos, afetando 35,9% das mercadorias enviadas ao país. O governo brasileiro estima que essa medida impacta 4% das exportações totais do Brasil. Para mitigar os efeitos, foi lançado o Plano Brasil Soberano, que inclui cerca de 700 produtos isentos da sobretaxa.
Rodrik também comparou a abordagem dos EUA com a da China, que tem seguido políticas que priorizam seus interesses econômicos. Ele ressaltou que, para que as tarifas sejam eficazes, devem ser acompanhadas de uma estratégia doméstica robusta, que promova inovação e empregos.
Além disso, Alex Soros, presidente do Conselho da Open Society, criticou os cortes na ajuda externa promovidos por Trump, afirmando que “pessoas morreram ao redor do mundo por conta dos cortes da Usaid”. Ele defendeu a importância de uma resposta global para enfrentar desigualdades, especialmente em países em desenvolvimento.
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