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Bancos devem investir mais em projetos multifamiliares, afirma CEO do GRI Institute

Crescimento do modelo multifamily no Brasil pode atender à crescente demanda por moradia e contornar a escassez de crédito disponível

O residencial Parque da Cidade é um dos novos empreendimentos "multifamily" de São Paulo, que une conceito de moradia e serviços: crescimento no país (Foto: Divulgação)
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  • O Brasil enfrenta uma alta histórica na taxa de juros, afetando o financiamento imobiliário e a capacidade de compra da população.
  • Gustavo Favaron, CEO do GRI Institute, prevê crescimento do modelo multifamily, que consiste em prédios voltados para locação.
  • Os preços dos aluguéis estão em ascensão, enquanto a porcentagem de domicílios alugados aumentou de 18,4% em 2016 para 23% em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  • O financiamento para projetos multifamily ainda é um desafio, com os bancos relutando em financiar esses empreendimentos.
  • Favaron sugere que o governo crie linhas de crédito específicas para o modelo multifamily, semelhante ao que ocorre em Nova York, para atender à crescente demanda por moradia.

O Brasil enfrenta um cenário desafiador no setor imobiliário, com a taxa de juros em níveis históricos, impactando a compra de imóveis e o financiamento. Gustavo Favaron, CEO do GRI Institute, acredita que, apesar das dificuldades, a aquisição de imóveis residenciais pode ser uma decisão acertada neste momento. Ele destaca que o modelo de negócios multifamily, que consiste em prédios inteiramente voltados para locação, deve crescer significativamente no país.

Favaron ressalta que os preços dos aluguéis estão em ascensão e continuarão a aumentar, enquanto a capacidade de compra da população não acompanha a valorização dos imóveis. Dados do IBGE indicam que a porcentagem de domicílios alugados no Brasil subiu de 18,4% em 2016 para 23% em 2024. O executivo aponta que, embora o programa Minha Casa Minha Vida tenha sido importante, o déficit habitacional persiste, forçando muitos a alugar.

Crescimento do Modelo Multifamily

Atualmente, o modelo multifamily representa menos de 1% do mercado residencial brasileiro, enquanto em países mais desenvolvidos, essa modalidade é predominante. Favaron acredita que, nos próximos cinco anos, o Brasil verá um crescimento substancial nesse setor. “A escassez de moradia é tamanha que o potencial de demanda é enorme,” afirma.

Entretanto, o financiamento para esses projetos ainda é um desafio. Favaron observa que os bancos têm relutado em financiar empreendimentos multifamily, mesmo que os riscos sejam comparáveis aos de construções tradicionais. Ele sugere que, com a queda da taxa de juros, mais instituições financeiras devem considerar essa modalidade para alocação de capital.

Desafios e Oportunidades

A vacância em multifamily no Brasil está em torno de 10%, com o tíquete médio crescendo acima da inflação. Favaron destaca que, apesar das dificuldades, o mercado de aluguel está aquecido e as burocracias relacionadas ao inquilinato foram superadas. “Os bancos precisam estar mais abertos a essa modalidade,” diz ele, enfatizando que o financiamento deve ser estruturado de forma diferente, focando na soma dos aluguéis em vez do Valor Geral de Vendas.

O executivo também critica a limitação da oferta de crédito no Brasil, que se restringe a poucas instituições. Ele sugere que o governo poderia criar linhas de crédito específicas para o modelo multifamily, semelhante ao que ocorre em Nova York. Com a crescente demanda por moradia, o futuro do setor multifamily no Brasil parece promissor, com perspectivas de crescimento robusto nos próximos anos.

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