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Brasil estabelece estratégia nacional para terras raras

Brasil deve manter controle nacional sobre terras raras para evitar dependência externa e ampliar a tecnologia local, segundo a proposta de estratégia nacional

Uma estratégia nacional para as terras raras brasileiras
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  • A discussão sobre terras raras brasileiras ganhou importância na relação entre Brasil e Estados Unidos, com foco em reservas brasileiras e em data centers no país.
  • O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, enquanto a China domina produção, refino e maior parte do mercado de ímãs permanentes, elevando o peso geopolítico dessas commodities.
  • Entregar a exploração a empresas estrangeiras seria visto como erro grave; defenderam-se controle nacional e valorização com maior participação pública na cadeia de valor.
  • Propõe-se a criação de uma empresa estatal de terras raras, com monopólio sobre extração e refino, transferência de tecnologia via parcerias e apoio financeiro público para desenvolver capacidades nacionais.
  • Sugeriu-se, ainda, ampliar a visão para uma estratégia regional na América Latina, reunindo reservas de cobre, lítio e outros minerais críticos para fortalecer a independência econômica na economia do futuro.

Uma estratégia nacional para as terras raras brasileiras ainda é tema de debate entre Brasília e Washington. O tema ganhou força após a ofensiva de Donald Trump contra a economia brasileira, no contexto de tarifas e relações comerciais. A discussão inclui o papel do Brasil na produção de terras raras e a instalação de data centers no país.

Especialistas veem o tema como parte de uma disputa global por tecnologia e controle de cadeias produtivas. As quedas de narrativa sobre tarifas viram, na prática, uma disputa por reservas, capacidade de refino e por acesso a mercados estratégicos para IA, energia renovável e defesa.

O peso das terras raras

As terras raras são 17 elementos, base de turbinas, energia solar, veículos elétricos e semicondutores. Segundo o USGS, China detém quase metade das reservas mapeadas, seguido pelo Brasil com 23%. EUA e outras nações também atuam para reduzir dependência.

No cenário atual, os EUA investiram na MP Materials e ampliaram empréstimos para garantir parte da produção de ímãs. França e Coreia do Sul avançam rumo a maior controle estatal da cadeia de valor. O Brasil, por ora, soma potencial de exploração restrito.

O que fazer com esse potencial?

O Brasil aparece como ator relevante na disputa por recursos estratégicos. Entregar a exploração a empresas estrangeiras seria uma perda de capacidade tecnológica e de geração de valor agregado. A proposta central defende controle nacional e transferência de tecnologia.

Uma estratégia nacional privilegia a criação de uma empresa estatal de terras raras, com monopólio sobre extração e refino. O Estado poderia direcionar renda para pesquisa, universidades e centros tecnológicos, mantendo participação pública em etapas-chave.

Para etapas mais complexas, parcerias com empresas estrangeiras poderiam ocorrer, desde que incluam transferência de tecnologia e integração com cadeias locais. O objetivo é manter um poder de barganha adequado nas negociações.

Parcerias estratégicas e regionalização

A China é apontada como parceira natural por dominar a cadeia de valor. Ao mesmo tempo, há interesse de ampliar a cooperação sem depender de fornecedores externos. A articulação com o setor aeroespacial brasileiro seria decisiva para incorporar tecnologias avançadas.

A ideia é ampliar o diálogo com países vizinhos da região para fortalecer a posiçãobrasileira. Reservas de cobre, lítio, níquel e grafite na região podem sustentar uma estratégia latino-americana de mineração com maior autonomia. A articulação regional pode abrir espaço para uma produção mais rica em tecnologia.

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