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Brasil se destaca nas exportações de soja com impasse entre EUA e China

China prioriza soja brasileira e não realiza compras de soja americana, agravando a crise para agricultores dos EUA antes da colheita

Enquanto a China evita compras dos EUA, o Brasil tinha cerca de 37 milhões de toneladas - ou aproximadamente 22% de sua safra - da temporada passada ainda para vender até 5 de agosto (Foto: Sebastian Lopez Brach/Bloomberg)
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  • A China não adquiriu cargas de soja americana para o próximo ano, priorizando o Brasil.
  • O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que não houve encomendas chinesas até o momento.
  • As negociações comerciais foram prorrogadas até 10 de novembro, em meio a tarifas retaliatórias que tornam a soja americana menos competitiva.
  • A colheita de soja nos Estados Unidos começa em setembro, e a próxima safra brasileira deve estar disponível a partir de fevereiro, o que pode gerar lacunas no abastecimento.
  • A China está diversificando suas fontes de suprimento, testando farelo de soja da Argentina e reduzindo o uso de farelo nas rações.

Poucos dias antes do início da temporada de exportação de soja dos Estados Unidos, a China não adquiriu nenhuma carga americana para o próximo ano. O cenário é alarmante para os agricultores norte-americanos, que enfrentam dificuldades financeiras devido à guerra comercial entre os dois países. Historicamente, os EUA ocupam a segunda posição como fornecedor de soja para a China, atrás do Brasil.

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que os compradores chineses não realizaram encomendas até agora. O impasse ocorre em meio a negociações comerciais que foram prorrogadas até 10 de novembro. As tarifas retaliatórias impostas pela China sobre a soja americana tornaram o produto menos competitivo, levando Pequim a priorizar as importações do Brasil.

Sazonalidade e Abastecimento

A colheita nos EUA começa em setembro, e agosto é crucial para as encomendas. O mercado de soja é sazonal, com os suprimentos americanos dominando até que a safra do Hemisfério Sul entre no mercado. A expectativa é que a próxima safra brasileira esteja disponível a partir de fevereiro, o que pode criar uma lacuna no abastecimento.

Analistas acreditam que o Brasil possui estoques suficientes para atender à demanda chinesa. As processadoras chinesas já garantiram grandes quantidades de soja brasileira, com mais de 30 milhões de toneladas esperadas nos próximos meses. Um gerente de uma usina chinesa afirmou que sua empresa já assegurou cargas sul-americanas até novembro.

Riscos e Alternativas

Embora o Brasil possa suprir a maior parte das necessidades da China, a dependência exclusiva do país sul-americano pode ser arriscada. A sazonalidade torna a situação delicada, e a China pode enfrentar preços mais altos ao retornar ao mercado americano. A soja brasileira já subiu quase 20% desde o início do ano, sendo negociada com um prêmio em relação à soja americana.

Além disso, a China está testando cargas de farelo de soja da Argentina e buscando reduzir o uso de farelo nas rações, enquanto controla o tamanho de seu rebanho suíno. Essa diversificação de suprimentos é uma estratégia para mitigar os riscos associados à dependência de um único fornecedor.

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