- Economistas alertam que o Brasil pode enfrentar uma crise fiscal em 2027 se não houver ajuste nas contas públicas.
- Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que aumentar a arrecadação sem cortar gastos é uma ilusão.
- Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro da FGV, destaca a necessidade de mudança nas políticas de transferência de renda, que afetam a recuperação da população economicamente ativa.
- A inflação no núcleo de serviços chegou a 5,8% em doze meses, e a produtividade estagnada no setor de serviços é uma preocupação.
- José Júlio Senna, do FGV Ibre, observa que a expectativa de queda de juros em 2026 pode dificultar o controle da inflação, exigindo cautela do Banco Central.
Brasil enfrenta desafios fiscais com alerta de crise em 2027
Economistas apontam que o Brasil pode enfrentar uma nova crise fiscal em 2027, caso não haja um ajuste nas contas públicas. Durante o II Seminário de Análise Conjuntural, Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, destacou que aumentar a arrecadação sem cortar gastos é uma ilusão. Ele enfatizou que a situação atual exige contenção de despesas, pois a falta de compromisso fiscal pode levar a um cenário semelhante ao do final de 2022.
A coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos, alertou para uma mudança estrutural nas políticas de transferência de renda, que têm impactado negativamente a recuperação da população economicamente ativa. A inflação no núcleo de serviços atingiu 5,8% em 12 meses, e, embora o número de empregos deva aumentar, a recuperação da força de trabalho ainda não alcançou os níveis pré-pandemia.
A produtividade estagnada no Brasil, especialmente no setor de serviços, também é uma preocupação. Matos argumentou que as políticas de transferência de renda, embora tenham aspectos positivos, podem estar contribuindo para uma maior dependência das famílias mais pobres. Ela defendeu que essas políticas devem ser temporárias, visando a geração de renda através do trabalho.
Expectativas de queda de juros em 2026 complicam ainda mais a meta de inflação do Banco Central. José Júlio Senna, do FGV Ibre, observou que a expectativa de redução da taxa de juros pode tornar as condições monetárias menos restritivas, dificultando o controle da inflação. O Banco Central, segundo Senna, precisa agir com cautela, pois a política monetária tem efeitos defasados.
Por fim, Castelar mencionou que a desvalorização do dólar deve continuar, favorecendo o controle da inflação no Brasil. O cenário internacional, embora tenha se acalmado, ainda apresenta incertezas, como a votação do orçamento dos EUA e novas legislações que podem impactar o mercado.
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