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Criptomoeda se torna alternativa popular na Venezuela diante da crise do bolívar

Cresce a adoção de criptomoedas na Venezuela, enquanto o governo intensifica repressão ao mercado negro e a inflação atinge 229%

Pessoa conta notas de bolívar, que sofre com desvalorização e vem sendo substituída por criptomoedas (Foto: Gaby Oraa/Reuters)
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  • O uso de criptomoedas na Venezuela cresceu 110% entre julho de 2023 e junho de 2024.
  • A crise econômica, com a desvalorização do bolívar e inflação de 229% em maio de 2024, impulsionou essa adoção.
  • Lojas e empresas aceitam pagamentos em stablecoins, como USDT.
  • O governo de Nicolás Maduro intensificou a repressão ao mercado negro, mas o uso de criptomoedas continua a aumentar.
  • A infraestrutura limitada não impede o crescimento do ecossistema de criptomoedas no país.

A Venezuela vive um aumento significativo no uso de criptomoedas, com um crescimento de 110% entre julho de 2023 e junho de 2024. A crise econômica, marcada pela desvalorização do bolívar e inflação elevada, tem levado a população a buscar alternativas financeiras. Lojas e empresas, desde pequenos estabelecimentos até grandes redes, agora aceitam pagamentos em stablecoins como USDT.

O cenário se agravou após o governo interromper a intervenção na cotação do bolívar em outubro de 2023. Desde então, a moeda local perdeu mais de 70% de seu valor, enquanto a inflação anual atingiu 229% em maio de 2024, segundo o Observatório Venezuelano de Finanças. O economista Aarón Olmos destaca que os venezuelanos adotaram criptomoedas por necessidade, enfrentando escassez de moeda estrangeira e dificuldades para abrir contas bancárias.

Adoção e Repressão

O governo de Nicolás Maduro intensificou a repressão ao mercado negro, prendendo indivíduos que administravam sites de câmbio. Apesar disso, o uso de criptomoedas continua a crescer. Gabriel Santana, contador em Caracas, relata que paga fornecedores e funcionários com USDT, mesmo enfrentando perdas na conversão. “Quando entram muitos bolívares, compramos USDT na Binance”, explica.

A situação é complexa, com o governo tendo um histórico ambíguo em relação às criptomoedas. Em 2018, lançou a criptomoeda nacional, o petro, que não obteve sucesso. Recentemente, o governo fechou o principal regulador de câmbio de criptomoedas, mas o uso do USDT se expande. Victor Sousa, um usuário, afirma que planeja manter toda sua economia em cripto.

Desafios e Oportunidades

Apesar das dificuldades de acesso a plataformas devido a sanções dos EUA, a comunidade de criptomoedas na Venezuela está se fortalecendo. Aníbal Garrido, diretor de um curso sobre criptomoedas, observa que a infraestrutura limitada não impede o crescimento do ecossistema. Lojistas afirmam que aceitar criptomoedas é essencial para competir no mercado.

A recente licença concedida pela administração Trump à Chevron para retomar a produção de petróleo pode trazer dólares ao país, mas a população permanece cautelosa. O uso de criptomoedas, que já foi uma alternativa durante a hiperinflação de 2016 a 2019, agora se torna uma estratégia vital em meio à instabilidade econômica.

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