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Pequenas empresas se adaptam e enfrentam altas tarifas com inovação e criatividade

Empresas brasileiras enfrentam desafios com tarifa de importação de 50%, forçando adaptações para manter a competitividade no mercado americano

Igor Morais, da Kings: “Se ficar inviável importar, vamos fabricar nos Estados Unidos. Estamos preparados para tudo” (Foto: Leandro Fonseca /Exame)
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  • A Kings Sneakers, rede de moda urbana brasileira, planejava lançar seu e-commerce nos Estados Unidos em julho de 2025, mas uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo Trump, forçou uma reavaliação da estratégia.
  • Desde agosto, três mil seiscentas e cinquenta micro e pequenas empresas brasileiras que exportam para os EUA enfrentam desafios devido à nova tarifa.
  • O governo federal lançou o plano Brasil Soberano, com R$ 30 bilhões destinados a apoiar as pequenas e médias empresas, mas a falta de um acordo com os EUA pode prejudicar a competitividade.
  • Empresas como Noronha Pescados e Aegisderma estão mudando suas operações, com a primeira planejando processar produtos nos EUA e a segunda transferindo toda a produção para lá.
  • O impacto da tarifa também afeta empresas como Frooty e Hydro Pet-Society, que estão ajustando suas estratégias para minimizar os efeitos financeiros.

Na terça-feira, 8 de julho, a Kings Sneakers, uma das maiores redes de moda urbana do Brasil, estava prestes a lançar seu e-commerce nos Estados Unidos. O plano incluía manter um estoque local e vender produtos fabricados no Brasil. No entanto, o anúncio de uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump, feito no dia seguinte, forçou o fundador Igor Morais a reavaliar a estratégia.

Com a tarifa em vigor desde agosto, 3.650 micro e pequenas empresas brasileiras que exportam para os EUA enfrentam um novo cenário desafiador. O governo federal lançou o plano Brasil Soberano, com 30 bilhões de reais destinados a ajudar as PMEs, mas a falta de um acordo entre Brasil e EUA pode resultar em uma perda de competitividade significativa.

Mudanças Estratégicas

Empresas como a Noronha Pescados, que tradicionalmente exportava peixe empanado do Recife, agora planejam processar o produto nos EUA. O CEO Guilherme Blanke afirmou que a nova estratégia envolve levar a matéria-prima diretamente para o território americano, onde será processada.

A Kings Sneakers também está considerando a produção local para manter a competitividade. Morais já tem parceiros nos EUA e planeja abrir uma loja física até 2026. A Aegisderma, marca de cosméticos, decidiu encerrar a produção no Brasil, transferindo toda a operação para os EUA devido à alta carga tributária.

Impactos no Setor

O tarifaço também afeta empresas como a Frooty, que projeta um faturamento de 500 milhões de reais para 2025, sendo 40% desse total oriundo das exportações para os EUA. O CEO Fábio Carvalho alertou que a tarifa pode aumentar os preços em 35% para o consumidor americano.

A Hydro Pet-Society, que fatura 30 milhões de dólares anualmente, já se antecipou ao embarcar produtos antes da implementação da tarifa. A sócia-fundadora Marly Fagliari está ajustando preços e renegociando margens com distribuidores para minimizar os impactos.

Desafios e Oportunidades

Com o tarifaço, a B.O.B, marca de cosméticos sustentáveis, está reavaliando sua operação nos EUA, enquanto a Cheirin Bão, rede de cafeterias, mantém planos de expansão, mas com cautela. A FuelTech, fabricante de tecnologia automotiva, já implementou um plano emergencial para adaptar sua produção e evitar as tarifas.

O cenário atual exige que as empresas brasileiras se reinventem para continuar competitivas no mercado americano, buscando alternativas como a produção local e a diversificação de mercados.

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