- A operação Carbono Oculto revelou que uma organização criminosa movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 no Brasil.
- O esquema envolve setores como combustíveis e portos, permitindo o controle por facções.
- O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que o crime organizado fatura R$ 61,5 bilhões anualmente no setor de combustíveis.
- O tráfico de drogas é o principal motor dessas operações, com potencial de faturamento de R$ 335,1 bilhões anualmente com a cocaína.
- A infiltração em portos, como o de Paranaguá, facilita a importação de produtos químicos e a exportação de drogas, com práticas de cooptação de funcionários.
A operação Carbono Oculto revelou a infiltração de organizações criminosas na economia brasileira, com movimentações que ultrapassam R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O esquema abrange setores como combustíveis e portos, permitindo o controle por facções. Especialistas alertam que essa realidade não é exclusiva do Brasil, sendo um fenômeno observado em países da América Latina, como Colômbia e México.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que a atuação de facções no setor de combustíveis gera um faturamento anual de R$ 61,5 bilhões, correspondente a 13 bilhões de litros de combustíveis, o que representa 8,7% do mercado total. Além disso, o crime organizado pode estar envolvido em atividades como extração de ouro e produção de tabaco, elevando o faturamento total para R$ 348 bilhões e gerando perdas tributárias de R$ 72 bilhões.
O tráfico de drogas, considerado o negócio mais lucrativo para as organizações criminosas, é o principal motor dessas operações. O potencial de faturamento da cocaína que transita pelo Brasil pode chegar a R$ 335,1 bilhões anualmente, caso seja vendida na Europa. A proximidade do Brasil com grandes produtores de cocaína, como Colômbia e Peru, o torna um ponto estratégico tanto para o consumo interno quanto para a exportação.
Infiltração nos Portos
A operação Carbono Oculto evidenciou a infiltração em setores legais, especialmente nos portos. O pesquisador Gabriel Patriarca, da Universidade de São Paulo (USP), destacou que o crime organizado pode estar investindo em terminais portuários, como o de Paranaguá, para facilitar a importação de produtos químicos usados na adulteração de combustíveis. Ele alerta que o PCC pode buscar controlar terminais para a exportação de drogas, utilizando empresas laranjas.
Patriarca também menciona que a cooptação de funcionários e gestores é uma prática comum, permitindo que informações sejam repassadas e facilitando o tráfico. Essa dinâmica é observada em outros países, como México e Paquistão, onde o crime organizado explora a interface entre economias legais e ilegais.
A operação Carbono Oculto é um indicativo de que a infiltração do crime na economia legal pode se intensificar, tornando-se uma preocupação crescente para as autoridades.
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