- O economista Roberto Campos Neto criticou o novo arcabouço fiscal, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento em São Paulo.
- Campos Neto destacou que investidores estrangeiros enfrentam dificuldades para entender as novas regras fiscais, que substituíram o teto de gastos de 2016.
- O arcabouço fiscal estabelece um limite de despesas mais flexível, vinculado a uma meta de resultado primário e ao crescimento das despesas em até setenta por cento da variação da receita dos últimos doze meses.
- Ele também criticou o tamanho da máquina pública, afirmando que o governo atual é maior do que deveria e não oferece serviços adequados.
- Campos Neto previu que a taxa básica de juros, atualmente em quinze por cento ao ano, não deve cair abaixo de onze ou doze por cento.
O economista Roberto Campos Neto criticou a confusão gerada pelo novo arcabouço fiscal, implementado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento realizado em São Paulo. Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, destacou que investidores estrangeiros têm dificuldades em compreender as novas regras fiscais, que substituíram o teto de gastos de 2016.
O arcabouço fiscal introduz um limite de despesas mais flexível, atrelado a uma meta de resultado primário e limita o crescimento das despesas a 70% da variação da receita dos últimos doze meses. Campos Neto enfatizou que, para atrair investimentos, é crucial que o governo apresente uma trajetória clara da dívida pública nos próximos anos. Ele afirmou que os investidores estão mais preocupados com a redução do déficit nominal e a necessidade de um juro de pelo menos 7% a 8% para equilibrar a dívida.
Críticas ao Tamanho do Governo
O ex-banqueiro central também criticou o tamanho da máquina pública, afirmando que o governo atual é maior do que deveria, sem oferecer serviços compatíveis com sua dimensão. Ele alertou que o ritmo de gastos é insustentável e que o modelo atual precisa ser repensado. Campos Neto lembrou que a crença em um Estado maior como motor de crescimento não se concretizou.
Além disso, ele previu que a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, não deve cair abaixo de 11% ou 12%. Essa perspectiva reflete a necessidade de um debate sério sobre a eficiência do governo e a trajetória da dívida, com a participação ativa do Congresso e do Judiciário para enfrentar os desafios fiscais do país.
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