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Cartéis mexicanos exploram criptomoedas, shows e timeshares para lavar dinheiro

Criminosos intensificam uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro, gerando bilhões em fraudes e desafiando autoridades nos EUA e México

Palco da Palenque na Feira de Texcoco, abril de 2025 (Foto: Reprodução)
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  • O uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro por organizações criminosas aumentou, especialmente no tráfico de drogas e fraudes.
  • O Departamento de Justiça dos Estados Unidos processou empresas e indivíduos envolvidos em esquemas de lavagem, resultando em perdas bilionárias.
  • A lavagem de dinheiro no México gera entre 18 bilhões e 44 bilhões de dólares anualmente, segundo estudos.
  • Um advogado mexicano admitiu ter lavado 52 milhões de dólares para o Cartel de Sinaloa, utilizando criptomoedas para ocultar a origem dos fundos.
  • Esquemas de fraudes de timeshare no México resultaram em perdas de 300 milhões de dólares para mais de seis mil americanos, com 22 indivíduos e 30 empresas sancionados em 2023.

O uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro por organizações criminosas tem se intensificado, especialmente em relação ao tráfico de drogas e fraudes. Recentemente, o Departamento de Justiça dos EUA processou indivíduos e empresas ligadas a esquemas de lavagem, resultando em perdas bilionárias.

Estudos indicam que, no México, a lavagem de dinheiro pode gerar entre 18 bilhões e 44 bilhões de dólares anualmente. Luis Pérez de Acha, advogado especializado, afirma que criminosos buscam integrar seus lucros ao mercado formal, utilizando ferramentas que ocultam a origem dos fundos. As criptomoedas, com sua capacidade de movimentar valores internacionalmente, têm se tornado uma escolha popular entre grupos de crime organizado.

Em um caso emblemático, um advogado mexicano admitiu ter lavado 52 milhões de dólares para o Cartel de Sinaloa, transferindo seus ativos para o universo das criptomoedas ao perceber a atenção das autoridades. O filho de “El Chapo”, Ovidio Guzmán, também revelou que seus launderers usavam transferências e criptomoedas para enviar lucros a membros do cartel.

Conexões com a Indústria Musical

Além do tráfico, a indústria musical tem sido identificada como um meio de lavagem de dinheiro. Em 2025, a empresa DEL Entertainment e seu proprietário foram condenados por misturar lucros do crime organizado com receitas legítimas de eventos. O promotor musical Jesús Pérez Alvear, vinculado ao Cartel Jalisco, foi assassinado após iniciar cooperação com as autoridades.

Os esquemas de timeshare no México também têm sido utilizados para fraudes. O Departamento do Tesouro dos EUA descreveu Puerto Vallarta como um “paraíso perdido” para aposentados americanos, onde cartéis enganam vítimas. Em 2023, 22 indivíduos e 30 empresas foram sancionados por envolvimento em fraudes desse tipo, resultando em perdas de 300 milhões de dólares para mais de 6.000 americanos.

Desafios das Autoridades

As autoridades enfrentam dificuldades em acompanhar as redes que trazem dinheiro ilícito ao mercado formal. Pérez de Acha destaca que a luta contra a lavagem de dinheiro é uma corrida constante, onde os criminosos inovam suas táticas à medida que as investigações avançam. A complexidade dos esquemas e a utilização de tecnologias como as criptomoedas dificultam a identificação e a responsabilização dos envolvidos.

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