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Vinhos doces geram polêmica e dividem opiniões no Brasil

O aumento do consumo de vinhos suaves no Brasil desafia preconceitos históricos e atrai novos apreciadores ao mercado.

A maior parte do vinho consumido no Brasil é do tipo suave, com teor de açúcar em torno de 20 gramas por litro (Foto: Reprodução)
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  • O consumo de vinhos suaves no Brasil está aumentando, desafiando o preconceito histórico de que são de menor qualidade.
  • Marcas como Concha y Toro e Bacalhoa estão lançando versões doces para atrair novos consumidores.
  • Dados mostram que a maioria do vinho consumido no Brasil é suave, com cerca de 20 gramas de açúcar por litro, enquanto os vinhos secos têm menos de 4 gramas.
  • O enólogo chefe da Concha y Toro, Marcelo Papa, informou que as vendas da linha Casillero del Diablo suave cresceram de 60 mil caixas em 2021 para 215 mil em 2024.
  • Críticos renomados reconhecem que vinhos doces de alta qualidade podem oferecer experiências ricas e equilibradas, refletindo uma mudança cultural na apreciação do vinho no país.

O preconceito contra os vinhos suaves no Brasil, historicamente vistos como de menor qualidade, está sendo desafiado por um aumento significativo no consumo desses rótulos. Marcas renomadas, como Concha y Toro e Bacalhoa, estão lançando versões doces para atrair novos consumidores, evidenciando uma mudança nas preferências do mercado.

Dados recentes mostram que a maior parte do vinho consumido no Brasil é suave, com cerca de 20 gramas de açúcar por litro, em contraste com os vinhos secos, que têm menos de 4 gramas. O consumo per capita de vinho no país está crescendo, passando de 2,2 litros para quase 3 litros por pessoa ao ano, um avanço que, segundo especialistas, não seria possível sem os vinhos doces.

A preferência por sabores mais adocicados pode ser atribuída ao consumo elevado de bebidas açucaradas, como sucos e refrigerantes, além das sobremesas brasileiras, que são notoriamente doces. Essa tendência é reconhecida por profissionais do setor, que afirmam que não vale a pena lutar contra o gosto dos consumidores. Um maître do restaurante Fasano, por exemplo, revelou que muitos clientes preferem vinhos de sobremesa, mesmo em pratos que não harmonizam.

Crescimento do Mercado

Marcelo Papa, enólogo chefe da Concha y Toro, destacou que a linha Casillero del Diablo suave teve um aumento nas vendas de 60 mil caixas em 2021 para 215 mil em 2024. Ele enfatizou que os vinhos mais doces são uma porta de entrada para novos consumidores. Por outro lado, Karene Vilela, do grupo Bacalhoa, está lançando o Casal Mendes Sweet, um vinho doce pensado para o público brasileiro, desafiando a ideia de que quem gosta de vinhos doces não entende de vinho.

Críticos renomados, como Eric Asimov, do New York Times, e Jancis Robinson, reconhecem que não há problema em apreciar vinhos leves e doces. Eles ressaltam que a qualidade não está apenas na secura ou na força, mas na complexidade e no equilíbrio dos sabores. Vinhos doces de alta qualidade, elaborados com técnicas específicas, podem oferecer experiências ricas e harmoniosas.

A crescente aceitação dos vinhos suaves no Brasil reflete uma mudança cultural, onde a apreciação do vinho se diversifica, permitindo que mais pessoas desfrutem dessa bebida de forma prazerosa e sem preconceitos.

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