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Setor de nozes e castanhas busca novos mercados após aumento de tarifas

Exportações de nozes e frutas secas caem 11,44% após sobretaxa dos EUA; setor pode perder 15% das vendas se interrupção for permanente

Setor de nozes e castanhas busca novos mercados devido ao aumento de tarifas até o fim de setembro (Foto: Reprodução)
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  • Os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, afetando o setor de nozes, castanhas e frutas secas.
  • Em agosto, as exportações desse setor caíram 11,44% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
  • A Associação Brasileira de Nozes e Castanhas (ABNC) alerta que a interrupção permanente das vendas para os EUA pode resultar em uma perda de 15% nas receitas do setor.
  • A ABNC solicitou apoio do governo para isenções tarifárias, mas não obteve respostas concretas até o momento.
  • Apenas a castanha-do-brasil com casca foi isenta de tarifas, uma decisão considerada estratégica para o mercado americano.

Os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, impactando severamente o setor de nozes, castanhas e frutas secas. Em agosto, as exportações desse segmento caíram 11,44% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados do MDIC. A Associação Brasileira de Nozes e Castanhas (ABNC) alerta que, se as vendas para os EUA forem interrompidas permanentemente, o setor pode enfrentar uma perda de 15% em suas receitas.

Patrício do Prado, vice-presidente da ABNC, destacou que a medida gerou instabilidade jurídica e que a recuperação da confiança no mercado americano pode levar de dois a três anos, mesmo que a sobretaxa seja revogada. Em 2024, os EUA representaram 30% das exportações brasileiras do setor, com expectativas de dobrar esse volume em 2025.

Apoio Governamental

A ABNC já solicitou apoio do governo para ampliar a lista de produtos isentos de tarifas, enviando ofícios ao Ministério da Agricultura e outras entidades, mas ainda não obteve respostas concretas. O Brasil possui polos de produção diversificados, com destaque para o Rio Grande do Sul na noz-pecã e o Ceará na castanha de caju. Apesar de parte da produção estar sendo redirecionada para o mercado interno, a demanda não é suficiente para absorver o volume, que representa cerca de 10% da produção nacional.

Patrício enfatizou que as iniciativas do governo, como compras governamentais e crédito emergencial, não têm se mostrado eficazes. Ele criticou a falta de uma estratégia clara para diversificar mercados e negociar com os EUA. O setor, que emprega cerca de 15 mil pessoas, corre o risco de demissões, especialmente entre pequenos produtores que dependem da colheita manual.

Isenções Tarifárias

Apenas a castanha-do-brasil com casca foi incluída na lista de isenções tarifárias, uma decisão considerada estratégica. Segundo Patrício, essa castanha tem poucos fornecedores no mundo, e os EUA enfrentam dificuldades com a maioria deles. A importação desse produto força a industrialização nos EUA, criando empregos locais. A situação atual exige uma resposta rápida e eficaz para evitar danos permanentes ao setor.

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