- O Google lançou o “Modo IA” no Brasil, uma ferramenta de inteligência artificial que atua como um chatbot nas buscas.
- O recurso, que já está disponível nos Estados Unidos desde maio, promete mudar a forma como os usuários buscam e consomem informações.
- O “Modo IA” será acessado em uma aba específica e fornecerá respostas em texto, semelhante ao ChatGPT, utilizando o modelo Gemini 2.5.
- Especialistas alertam que essa mudança pode reduzir o tráfego em sites, com uma queda de 25% nas buscas desde a popularização do ChatGPT.
- Questões sobre direitos autorais também surgem, com veículos de comunicação processando empresas de IA por uso indevido de conteúdo.
O Google anunciou a chegada do Modo IA ao Brasil, uma nova ferramenta de inteligência artificial que funcionará como um chatbot, alterando a forma como os usuários realizam buscas e consomem informações. O recurso, que já opera nos EUA desde maio, promete impactar significativamente o modelo de negócios de sites e publicações.
O Modo IA será acessado em uma aba dedicada nas buscas do Google, oferecendo respostas em texto para perguntas, assim como o ChatGPT. O modelo por trás da ferramenta é o Gemini 2.5, que visa proporcionar respostas instantâneas, reduzindo a necessidade de navegação em múltiplos sites. Essa mudança é vista como uma evolução do AI Overview, que já oferece respostas simplificadas nas buscas.
Bruno Pôssas, vice-presidente global de engenharia para Busca do Google, afirmou que a missão da empresa é ajudar as pessoas a encontrar informações de qualidade na web. No entanto, especialistas como Kenneth Corrêa, professor da FGV, alertam que essa mudança pode afastar os usuários das fontes originais, uma vez que o Google registrou uma queda de 25% no volume de buscas desde a popularização do ChatGPT.
Impactos no Setor de Conteúdo
A implementação do Modo IA no Brasil deve ser rapidamente adotada, considerando que o país é o terceiro maior usuário do ChatGPT, com 50 milhões de acessos mensais. Essa tendência pode levar a um consumo mais superficial de informações, com usuários se limitando a resumos de conteúdos. Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ, destaca a possibilidade do “adeus ao link azul”, refletindo a diminuição do tráfego em links do Google devido às respostas geradas por IA.
Uma pesquisa da Similarweb revelou que o tráfego de buscas global caiu 15% entre junho de 2025 e o mesmo mês do ano anterior. Além disso, o número de resultados de buscas que não geraram cliques em links originais aumentou de 56% para 69%. Veículos de comunicação, como o Washington Post e o Business Insider, enfrentaram uma queda de 55% no tráfego orgânico via busca entre abril de 2022 e abril de 2025.
Questões Legais e Éticas
A utilização de informações publicadas por veículos de comunicação pelas IAs levanta preocupações sobre direitos autorais. No Brasil, a Folha de S. Paulo processou a OpenAI por violação de direitos autorais, enquanto o The New York Times já havia feito o mesmo. O diretor-executivo da ANJ defende a necessidade de acordos justos entre veículos de comunicação e empresas de IA.
O Google, por sua vez, mantém que o Modo IA pode aumentar a diversidade de sites visitados pelos usuários, promovendo um maior tempo de permanência nas páginas. A expectativa é que essa nova ferramenta transforme a maneira como as pessoas interagem com a informação na internet, embora os impactos negativos sobre o tráfego e a monetização de conteúdo sejam uma preocupação crescente.
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