- O mercado financeiro brasileiro tem passado por mudanças significativas, com a renda fixa crescendo e a renda variável perdendo espaço.
- Sergio Cordoni, gestor da V8, ingressou na empresa durante a pandemia e ajudou a criar uma frente de renda variável, utilizando um modelo de fatores em estratégias como long short.
- Cordoni destacou a influência dos fundos quantitativos internacionais, que aumentaram suas operações no Brasil após eventos geopolíticos, como a exclusão da Rússia do sistema SWIFT em 2018.
- Ele observou que muitos fundos de longo prazo enfrentaram dificuldades devido a resgates e à impaciência dos investidores em um cenário de juros altos, tornando o mercado vulnerável a fluxos de capital estrangeiro.
- Cordoni mencionou que o mercado brasileiro é cíclico, alternando entre períodos de bonança e crises, e enfatizou a importância de liquidez e disciplina de estratégia para as gestoras.
O mercado financeiro brasileiro tem se transformado significativamente nas últimas décadas, com a renda fixa se expandindo e a renda variável perdendo espaço. Sergio Cordoni, gestor da V8, observou que, apesar da popularidade da renda fixa, muitos investidores ainda não percebem sua volatilidade. Ao ingressar na V8 durante a pandemia, Cordoni encontrou uma gestora focada na preservação de capital e produtos de baixa volatilidade. Ele então ajudou a criar uma frente de renda variável, utilizando um modelo proprietário de fatores em estratégias como long short.
Impacto dos Fundos Quantitativos
Cordoni também destacou a influência dos fundos quantitativos internacionais, conhecidos como CTAs, que intensificaram suas operações no Brasil após eventos geopolíticos, como a exclusão da Rússia do sistema SWIFT em 2018. Essas mudanças aumentaram o fluxo de capital estrangeiro, alterando o comportamento do mercado e exigindo que as gestoras locais se adaptassem. O gestor apontou que muitos fundos de longo prazo enfrentaram dificuldades, pressionados por resgates e pela impaciência dos investidores em um cenário de juros altos.
O resultado foi um mercado mais voltado para o curto prazo, vulnerável à entrada de recursos internacionais. “Remar contra o fluxo virou um risco enorme”, afirmou Cordoni, referindo-se às penalizações que gestores locais enfrentaram ao tentarem se posicionar contra essa dinâmica.
Ciclos do Mercado
Revisitando momentos históricos, Cordoni mencionou a quebra da Bolsa do Rio e o superciclo de commodities nos anos 2000. Ele destacou que o maior bull market recente ocorreu durante a transição entre os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, quando medidas fiscais e a queda dos juros impulsionaram a valorização dos ativos. Atualmente, muitas empresas apresentam volumes baixos de negociação, o que, segundo ele, pode sinalizar um novo ciclo de valorização, especialmente em um cenário de transição política.
O gestor concluiu que o mercado brasileiro é cíclico, alternando entre períodos de bonança e crises, frequentemente influenciado por fatores externos e políticos internos. Nesse contexto, liquidez e disciplina de estratégia são fundamentais para o sucesso das gestoras.
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