- A Fitch Ratings não prevê a recuperação do grau de investimento do Brasil no curto prazo.
- Shelly Shetty, chefe de ratings soberanos da agência, destacou a elevada dívida pública e os desafios fiscais do país.
- A relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) é pior do que em dois mil e quinze, quando o Brasil perdeu o selo de investment grade.
- O déficit nominal do Brasil é de oito por cento, superior à média de países com rating BB, que é de três por cento.
- A Fitch ressaltou que reformas fiscais são necessárias para aumentar a confiança na estabilização da dívida no médio prazo.
A Fitch Ratings não prevê a recuperação do grau de investimento do Brasil no curto prazo, conforme afirmou Shelly Shetty, chefe de ratings soberanos da agência, durante evento em São Paulo. O país, atualmente classificado com nota BB estável, enfrenta desafios fiscais significativos e uma dívida pública elevada, que dificultam a confiança dos investidores.
Shetty destacou que a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é pior do que em 2015, quando o país perdeu o selo de investment grade. A falta de superávits primários e os riscos de estímulos fiscais em um ano eleitoral são fatores que contribuem para essa perspectiva negativa. “Não vemos o Brasil alcançando o grau de investimento no curto prazo”, afirmou a diretora.
Desafios Fiscais
O déficit nominal do Brasil, que chega a 8%, é superior à média de países com rating BB, que é de 3%. Além disso, a taxa de juros elevada, atualmente em 15% ao ano, representa um desafio adicional. Apesar de a economia ter mostrado crescimento nos últimos anos, a falta de superávits primários gera incertezas sobre a credibilidade fiscal do país.
A Fitch também ressaltou que a nota do Brasil reflete tanto suas forças, como o crescimento econômico, quanto suas vulnerabilidades, como o aumento da dívida pública. A diretora enfatizou que reformas que aumentem a confiança na estabilização da dívida no médio prazo podem ajudar a melhorar a nota de risco de crédito.
Perspectivas Futuras
A combinação de um cenário macroeconômico adverso e a necessidade de reformas fiscais continuam a ser tópicos centrais nas discussões sobre a recuperação do grau de investimento. A Moody’s, por sua vez, reconheceu a resiliência do Brasil, mas alertou que os desafios fiscais devem persistir, impactando negativamente o rating do país até após as eleições de 2026.
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