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Novos negócios surgem com metas de redução de CO2 em aviões e navios

Brasil amplia projetos de combustível sustentável de aviação, prevendo produção de 2,8 bilhões de litros até 2035 com investimentos de grandes empresas

Porto do Açu investe em hub de inovação para projetos de baixo carbono nos setores aéreo e marítimo, em parceria com a petroleira Repsol (Foto: Reprodução)
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  • O Brasil aumentou o número de projetos para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) de três para nove, com previsão de produção de 2,8 bilhões de litros até 2035.
  • A Petrobras planeja iniciar a produção de SAF nos próximos meses, com capacidade de até 10 mil barris por dia.
  • A Acelen está desenvolvendo uma biorrefinaria na Bahia, com capacidade de produzir 1 bilhão de litros por ano a partir do óleo de macaúba.
  • A Vibra já comercializa SAF importado misturado com querosene de aviação no Rio de Janeiro e lançou um óleo diesel com 20% de biodiesel no Porto de Santos.
  • O Brasil tem potencial para descarbonizar os transportes aéreo e marítimo, com um investimento potencial de R$ 167 bilhões em novas tecnologias.

O Brasil está se consolidando como um líder na produção de biocombustíveis, especialmente com o aumento significativo de projetos para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF). De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o número de iniciativas saltou de três para nove entre 2024 e 2025, com uma previsão de produção de 2,8 bilhões de litros até 2035. Essa expansão é impulsionada pelo Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV).

Os combustíveis SAF são produzidos a partir de biomassa, óleos vegetais e gordura animal, permitindo uma redução de emissões de carbono entre 55% e 90% em comparação com combustíveis fósseis. A mistura de SAF com querosene de aviação é vista como uma solução imediata para a transição energética no setor aéreo. Na navegação, a introdução de biodiesel e diesel renovável (HVO) pode reduzir as emissões de gases do efeito estufa em até 90%.

Investimentos e Inovações

A Petrobras e a Acelen estão na vanguarda desse movimento. A Petrobras planeja iniciar a produção de SAF nos próximos meses, com capacidade de até 10 mil barris por dia. A Acelen, por sua vez, está desenvolvendo uma biorrefinaria em São Francisco do Conde (BA), que terá capacidade de produzir 1 bilhão de litros por ano a partir do óleo de macaúba, uma palmeira nativa. O CEO da Acelen, Luiz de Mendonça, afirma que o custo de produção será competitivo com o dos combustíveis fósseis quando a cadeia produtiva estiver madura.

Além disso, a Vibra já está comercializando SAF importado em aeroportos do Rio de Janeiro, misturado com querosene de aviação. No setor marítimo, a empresa também lançou um óleo diesel com 20% de biodiesel para clientes no Porto de Santos.

O Futuro dos Biocombustíveis

O Brasil possui um grande potencial para descarbonizar os transportes aéreo e marítimo, com aproximadamente 3% das emissões globais de carbono provenientes desses setores. A diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto, destaca que o país pode oferecer soluções inovadoras tanto no mercado interno quanto externo.

Recentemente, uma chamada pública do BNDES e da Finep recebeu 43 propostas focadas em SAF e 33 em combustíveis para navegação, com um investimento potencial de R$ 167 bilhões. Entre as iniciativas aprovadas, destaca-se a parceria da Prumo Logística com a Repsol Sinopec Brasil, que visa desenvolver tecnologias para converter CO₂ em combustíveis com menor pegada de carbono.

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