- A Câmara Europeia de Comércio na China informou que empresas estrangeiras enfrentam dificuldades para obter licenças de exportação de terras raras.
- Essas dificuldades resultaram em perdas financeiras significativas, com um membro da câmara relatando prejuízos de milhões de euros.
- A China controla mais de 69% da produção e quase 50% das reservas globais de terras raras e intensificou as restrições às exportações desde o final do ano passado.
- As restrições impactam setores como automotivo e tecnologia, com a Volkswagen alertando sobre possíveis escassezes no terceiro trimestre de 2024.
- A Câmara Europeia de Comércio planeja reuniões com políticos da União Europeia para discutir a situação e sugerir a inclusão do setor privado nas indústrias estratégicas.
BEIJING — A Câmara Europeia de Comércio na China informou que empresas estrangeiras enfrentam dificuldades crescentes para obter licenças de exportação de terras raras, essenciais para diversas indústrias. Um membro da câmara relatou perdas de milhões de euros devido a essa situação. A falta de clareza no processo de acesso a esses minerais críticos tem gerado incertezas e prejuízos financeiros.
A China controla mais de 69% da produção de terras raras e quase 50% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Desde o final do ano passado, o país intensificou as restrições às exportações, exigindo comprovações de que os minerais não serão utilizados para fins militares. Após uma trégua comercial com os EUA em maio, a China começou a emitir licenças de exportação de uso único, mas a câmara destacou que, mesmo com um aumento nas aprovações em junho e julho, os desafios para obtenção das licenças têm crescido.
Impacto nas Indústrias
As restrições afetam diretamente setores como o automotivo e de tecnologia, que dependem de terras raras para a fabricação de produtos como semicondutores e veículos elétricos. A Volkswagen afirmou que sua cadeia de suprimentos está estável, mas a ECCC alertou que a incerteza no acesso aos minerais pode levar a uma escassez no terceiro trimestre de 2024. Quase 50% das importações de terras raras da União Europeia vieram da China no ano passado.
A confiança das empresas estrangeiras na China tem diminuído desde a pandemia de Covid-19, que desestabilizou cadeias de suprimento. Um estudo da Câmara Americana de Comércio em Xangai revelou que a confiança empresarial atingiu um novo mínimo, com quase 50% dos entrevistados redirecionando investimentos planejados para outras regiões, principalmente o Sudeste Asiático.
Reuniões e Expectativas
A ECCC planeja se reunir com políticos da União Europeia em Bruxelas para discutir a situação das empresas. A câmara também divulgou um documento com recomendações para o governo chinês, sugerindo que se considere a participação do setor privado em indústrias estratégicas. O presidente da ECCC, Jens Eskelund, destacou que as conversas com o Ministério do Comércio da China têm se concentrado no acesso a terras raras.
Os líderes chineses se reunirão em outubro para discutir metas de desenvolvimento para 2026 a 2030. As decisões tomadas nesse encontro podem impactar significativamente o comércio e a dinâmica industrial, especialmente considerando que a China é o segundo maior parceiro comercial da UE, com um comércio que alcançou 732 bilhões de euros em 2024.
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