- O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a penalização econômica do Brasil pelas agências de classificação de risco não é justificável.
- Ele destacou que o país poderia ter notas de crédito melhores, apesar das dificuldades fiscais.
- Ceron reconheceu a fragilidade fiscal, mas comparou os fundamentos econômicos do Brasil aos de países com grau de investimento.
- Atualmente, o Brasil está dois degraus abaixo do grau de investimento na S&P e na Fitch, e um nível abaixo na Moody’s.
- O secretário acredita que, com sinalizações fiscais adequadas, o Brasil pode recuperar o grau de investimento entre 2027 e 2028.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a penalização econômica do Brasil pelas agências de classificação de risco não é mais justificável. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ele destacou que o país poderia estar em uma posição melhor em suas notas de crédito, apesar das dificuldades fiscais.
Ceron reconheceu a fragilidade fiscal, mas argumentou que os fundamentos econômicos do Brasil são comparáveis aos de países que possuem grau de investimento. Ele criticou a S&P e a Fitch, que mantêm restrições ao Brasil devido ao baixo crescimento do PIB per capita entre 2015 e 2019. O secretário ressaltou que, desde 2021, o PIB per capita cresceu cerca de 3%, enquanto nações com crescimento inferior não enfrentam punições semelhantes.
Atualmente, o Brasil está dois degraus abaixo do grau de investimento na S&P e na Fitch, e um nível abaixo na Moody’s. A gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tinha como meta recuperar o selo até 2026, mas Ceron admitiu que esse objetivo não será alcançado no atual governo. A expectativa é que uma revisão significativa ocorra entre 2027 e 2028.
Expectativas Futuras
Ceron observou que, apesar das notas das agências, os mercados já precificam o Brasil como se tivesse grau de investimento. Ele citou os Credit Default Swaps (CDS), que indicam que o spread brasileiro é menor que o da Colômbia, que já possui investment grade. Para ele, essa discrepância entre o mercado e as agências prejudica tanto o Tesouro quanto as empresas que buscam financiamento externo.
O secretário comparou a situação do Brasil com a de outros países, como a Índia, que, mesmo com déficits elevados, mantêm notas mais altas devido ao crescimento econômico. Ceron acredita que, se o próximo governo reforçar a credibilidade das regras fiscais, o Brasil poderá recuperar o grau de investimento em 2027 ou 2028. Ele concluiu que o caminho está preparado e que, com sinalizações fiscais adequadas, há boas possibilidades de avanço nas classificações.
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