- Adam Tooze, historiador econômico, argumenta que a ascensão da China desafia a hegemonia ocidental e resulta em uma nova Guerra Fria.
- Ele critica a agenda de desenvolvimento global, afirmando que ela ignora realidades políticas ao tentar criar um mundo baseado em valores universais.
- Tooze destaca a desconexão entre desenvolvimento e poder, observando que a China alterou o equilíbrio global ao tirar milhões da pobreza.
- O autor menciona a rejeição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pelos Estados Unidos como uma crítica ao consenso ocidental sobre desenvolvimento.
- Tooze aponta que a China se posiciona como uma alternativa viável no financiamento para o desenvolvimento, investindo em energia renovável e infraestrutura em países em desenvolvimento.
A ascensão da China e a nova dinâmica do desenvolvimento global
O historiador econômico Adam Tooze, em artigo na revista Foreign Policy, argumenta que a ascensão da China e seu sucesso em tirar milhões da pobreza desafiam a hegemonia ocidental, resultando em uma nova Guerra Fria. Tooze critica a agenda de desenvolvimento global das últimas décadas, sugerindo que ela se tornou uma tentativa de criar um mundo baseado em valores universais, sem considerar as realidades políticas.
Tooze destaca que, apesar do compromisso global com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris, a desconexão entre desenvolvimento e poder se tornou evidente. Ele observa que a China, ao alcançar um nível de desenvolvimento significativo, não apenas melhorou as condições de vida de sua população, mas também alterou o equilíbrio de poder global. A situação atual revela que o desenvolvimento não é apenas uma questão humanitária, mas uma questão de poder geopolítico.
A crítica à agenda ocidental
O autor menciona que a recente rejeição dos ODS pelos Estados Unidos não é apenas um reflexo da administração Trump, mas uma crítica mais ampla à consenso ocidental sobre desenvolvimento. Segundo Tooze, a ideia de que países como Etiópia e Nigéria poderiam alcançar níveis de PIB per capita similares aos da Turquia foi subestimada. Ele argumenta que a visão de um mundo unipolar, onde o Ocidente lidera, está ultrapassada.
A análise de Tooze também aponta que a China não apenas se tornou um modelo de desenvolvimento, mas também um competidor que expôs as falhas da política ocidental. Ele sugere que a ascensão de potências como a China pode levar a uma multipolaridade que desafia a ordem global estabelecida.
Desafios e oportunidades no financiamento
Tooze discute ainda os desafios do financiamento para o desenvolvimento, mencionando a falência de iniciativas como a blended finance, que prometia unir capital público e privado. Ele critica a falta de projetos viáveis e a relutância do setor privado em assumir riscos, o que impede a concretização de grandes objetivos de desenvolvimento.
O autor observa que, enquanto o Ocidente se retira de compromissos globais, a China está se posicionando como uma alternativa viável, com investimentos significativos em energia renovável e infraestrutura em países em desenvolvimento. Essa mudança pode redefinir as relações econômicas e políticas globais, criando novas oportunidades de crescimento e cooperação.
Tooze conclui que a dinâmica do desenvolvimento está em transformação, e a capacidade da China de moldar essa nova realidade pode ter implicações profundas para o futuro das relações internacionais e para a luta contra as mudanças climáticas.
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