- A expectativa de fuga de capitais dos Estados Unidos devido à política de Donald Trump não se concretizou, e as bolsas americanas continuam em alta.
- Investidores globais estão adotando o ‘Hedge America’, utilizando derivativos para se proteger da desvalorização do dólar.
- Dados do Deutsche Bank mostram que, pela primeira vez em dez anos, os aportes em ETFs (fundos de índice) com proteção cambial superaram os não protegidos.
- Desde abril, após o anúncio de novas tarifas por Trump, o dólar acumula uma queda de quase 9% em 2025, o pior desempenho semestral desde os anos 1970.
- A expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve também impulsiona o aumento das operações de hedge, que podem alcançar US$ 1 trilhão.
A expectativa de uma fuga de capitais dos Estados Unidos, impulsionada pela política de Donald Trump, não se concretizou. As bolsas americanas continuam em alta, alcançando patamares históricos. No entanto, um novo fenômeno está emergindo: o ‘Hedge America’.
Investidores globais estão cada vez mais utilizando derivativos para se proteger da desvalorização do dólar. Dados do Deutsche Bank revelam que, pela primeira vez em uma década, os aportes em ETFs com proteção cambial superaram os não protegidos. Mais de 80% das entradas em fundos de ações nos EUA foram na forma protegida, enquanto no mercado de renda fixa, esse percentual chegou a 50%.
A mudança começou em abril, após o anúncio de novas tarifas por Trump, que impactou tanto as bolsas quanto o dólar. Desde então, a moeda americana acumula uma queda de quase 9% em 2025, o pior desempenho semestral desde os anos 1970. As operações de hedge, que envolvem a venda antecipada do dólar em contratos futuros, estão ampliando a pressão vendedora sobre a moeda.
Expectativas e Análises
A expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve também influencia esse movimento, tornando a proteção cambial mais acessível. Sahil Mahtani, diretor de pesquisa da gestora Ninety One, estima que o volume de operações de hedge pode alcançar US$ 1 trilhão, retornando aos níveis de proteção da década passada.
Além das tarifas, outros fatores estão afetando a percepção do dólar. Steven Barrow, estrategista do Standard Bank, observa que a especulação sobre estímulos econômicos pelo Fed, em resposta à pressão da Casa Branca, leva os investidores a preferirem ações americanas enquanto evitam o dólar.
Embora haja divergências entre analistas sobre a intensidade do ajuste, um consenso se forma: os fundos de pensão globais estão liderando esse movimento, que pode estar apenas começando.
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