- O setor de varejo enfrenta desafios devido às tarifas elevadas sobre produtos importados, resultado da guerra comercial iniciada pelo governo Trump.
- Empresas estão adotando o modelo B2B2C, que permite a compra de produtos a preços de atacado por intermediários, reduzindo tarifas e mantendo preços competitivos.
- O grupo Yours Clothing reduziu suas despesas com tarifas pela metade ao utilizar intermediários, como a ESW.
- A Tod’s Group, holding de luxo italiana, também se beneficiou desse modelo, evitando aumentos de preços em um mercado competitivo.
- Especialistas alertam que a dependência desse modelo pode ser uma solução temporária, destacando a necessidade de reestruturação da cadeia de suprimentos para garantir sustentabilidade a longo prazo.
As empresas de varejo estão adotando o modelo B2B2C para enfrentar os desafios impostos pela guerra comercial iniciada pelo governo Trump. Este modelo permite que intermediários comprem produtos a preços de atacado, reduzindo as tarifas e mantendo os preços competitivos para os consumidores.
O impacto das tarifas elevadas sobre produtos importados tem sido significativo, levando empresas de diversos setores a repensar suas estratégias. O grupo Yours Clothing, por exemplo, viu suas despesas com tarifas reduzidas pela metade ao utilizar intermediários como a ESW. O diretor de comércio do grupo, Antony Talbot, explicou que, ao comprar um vestido de 30 dólares através de um intermediário, a tarifa é calculada sobre o preço de atacado, resultando em uma economia considerável.
Além disso, a Tod’s Group, uma holding de luxo italiana, também se beneficiou do modelo B2B2C, evitando aumentos de preços em um mercado altamente competitivo. Marcello Messina, responsável pelo e-commerce global da empresa, destacou a importância de manter preços consistentes entre os mercados, especialmente durante a temporada de festas, que representa 60% das vendas.
Estratégias de Mitigação
A demanda pelo modelo B2B2C está crescendo à medida que os varejistas reavaliam suas estratégias de logística e diversificação. Matthew Merrilees, CEO da Global-e, afirmou que as empresas precisam escalar suas operações sem perder margem de lucro. O modelo transfere o risco financeiro e a responsabilidade de pagamento de tarifas para o intermediário, proporcionando uma experiência de compra mais fluida para o consumidor.
Além de mitigar tarifas, as empresas estão buscando espaço em armazéns nos Estados Unidos para gerenciar retornos de produtos. A localização estratégica permite que os varejistas revendam rapidamente produtos devolvidos, evitando custos adicionais com tarifas de reimportação. Merrilees observou que a presença local para processar retornos é crucial para manter a satisfação do cliente.
Desafios e Preocupações
Embora o modelo B2B2C ofereça soluções criativas, especialistas alertam que essa abordagem pode ser uma solução temporária. Nunzio De Filippis, co-CEO da CargoTrans, advertiu que a dependência de métodos para evitar tarifas pode criar uma falsa sensação de controle. Ele enfatizou a necessidade de reestruturação da cadeia de suprimentos e conformidade para garantir a sustentabilidade a longo prazo.
A situação tarifária global é complexa e requer uma abordagem cuidadosa. Enquanto algumas empresas encontram maneiras inovadoras de se adaptar, outros no setor expressam preocupações sobre a viabilidade a longo prazo dessas estratégias.
Entre na conversa da comunidade