- O preço do café no Brasil deve aumentar entre 10% e 15% nas próximas semanas, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).
- Em agosto, o preço médio do café foi de R$ 62,83, com alta acumulada de 60% nos últimos 12 meses
- A safra de 2024 teve resultados abaixo do esperado, com aumento de 224% nos custos da matéria-prima, podendo resultar em café até 110% mais caro ao consumidor.
- O consumo interno de café caiu 5,41% entre janeiro e agosto de 2025, com o café solúvel apresentando alta de 50,59% no ano.
- A Abic projeta que o preço médio do café pode chegar a R$ 80 nos próximos meses, mas a expectativa é que a safra 2025/2026 não seja suficiente para recompor os estoques.
Alta nos custos, clima desfavorável e estoques baixos pressionam o setor; consumo doméstico cai e indústria projeta café a R$ 80 nos próximos meses
O mercado brasileiro de café atravessa um período de forte pressão nos preços, tanto no consumo doméstico quanto nas exportações. A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) anunciou que os valores nos supermercados devem subir entre 10% e 15% nas próximas semanas, reflexo da oferta limitada e do encarecimento da matéria-prima.
Em agosto, o preço médio do café no país foi de R$62,83, registrando queda tímida de 2,17% em relação a julho. Mas, nos últimos 12 meses, o café moído já acumula uma disparada de 60,85%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Clima adverso e estoques baixos
A safra de 2024 já foi concluída, mas com resultados abaixo do esperado. “Embora ainda não tenhamos os números finais, já sabemos que o resultado ficou abaixo do esperado. Além de uma produção menor, tivemos perda no rendimento, o que trouxe ainda mais desafios para a cadeia cafeeira. Esse cenário, somado à falta de previsibilidade do comércio global, gerou uma reação imediata nas bolsas internacionais, aumentando a volatilidade do mercado. Agora, nossas expectativas estão voltadas para que as condições climáticas sejam mais favoráveis, garantindo uma safra mais forte em 2026”, afirmou Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic.
Segundo a associação, apenas em 2024, a indústria teve um aumento de 224% nos custos da matéria-prima, o que resultou em um café até 110% mais caro ao consumidor. A baixa dos estoques globais e a valorização do dólar também pressionam o preço.
Consumo doméstico em queda
Apesar da importância cultural e econômica da bebida, já que o café é a segunda mais consumida no mundo, atrás apenas da água, o consumo interno tem mostrado retração. Entre janeiro e agosto de 2025, as vendas caíram 5,41%, de acordo com a Abic. O café solúvel, em particular, acumulou alta de 50,59% no ano, desestimulando o consumidor.
“Enquanto isso, nós, consumidores brasileiros, sentimos os efeitos diretos desse cenário. Com estoques praticamente esgotados, as indústrias de café estão pressionadas pelos aumentos expressivos no preço da matéria-prima. Como consequência, esses reajustes chegam de forma quase imediata às prateleiras do varejo. O aumento que o consumidor perceberá nas próximas semanas, entre 10% e 15%, representa apenas parte da elevação total nos custos, que já se somam a mais de 25% para as indústrias, sem falar no custo do capital de giro”, explicou Celírio Inácio.
Pressões externas e exportações
Além dos desafios climáticos e de produção, o setor enfrenta incertezas em relação às sobretaxas sobre as exportações para os Estados Unidos, principal destino do café brasileiro. O comércio internacional também sente os efeitos de custos logísticos elevados. As guerras no Oriente Médio encareceram o transporte marítimo, aumentando o preço dos contêineres.
Paralelamente, a abertura de novos mercados, como a China, que passou da 20ª para a 6ª posição entre os importadores de café brasileiro desde 2023, tem ampliado a demanda global.
Expectativas e projeções
A Abic projeta que o preço médio do café no Brasil pode chegar a R$80 nos próximos meses. A expectativa é de que a safra 2025/2026 apresente uma boa florada, mas especialistas acreditam que esse desempenho não será suficiente para recompor os estoques.
“Os dados de setembro nos levam a crer que teremos um comportamento surpreendente ainda neste ano, para o próximo fechamento”, afirmou o presidente da Abic, Pavel Cardoso.
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