- A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais.
- A medida beneficiará cerca de 15,5 milhões de contribuintes e terá um custo estimado de R$ 27 bilhões ao ano.
- Para compensar essa renúncia fiscal, foram introduzidas novas regras, como o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo e a tributação de dividendos.
- O Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo exigirá que contribuintes com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil paguem uma alíquota mínima de até 10%.
- O projeto agora segue para o Senado, onde poderá ser alterado, e é considerado um passo inicial para uma reforma tributária mais ampla.
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de quarta-feira (1), um projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos de até R$ 5 mil mensais. Essa medida, uma das promessas do governo, beneficiará cerca de 15,5 milhões de contribuintes e terá um custo estimado de R$ 27 bilhões ao ano. Para compensar essa renúncia fiscal, foram introduzidas novas regras visando a alta renda, como o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM) e a tributação de dividendos.
O IRPFM estabelece que contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil deverão pagar uma alíquota mínima de imposto, que pode chegar a 10% para aqueles que ganham a partir de R$ 1,2 milhão por ano. A expectativa do governo é arrecadar R$ 25,22 bilhões anuais apenas com essa nova tributação. O projeto também cria uma cobrança de 10% sobre dividendos distribuídos a sócios de empresas, com a previsão de arrecadar R$ 8,9 bilhões com remessas ao exterior.
Críticas e Considerações
Embora o presidente da Câmara, Arthur Lira, considere a medida neutra em termos de arrecadação e um avanço em direção à justiça tributária, especialistas alertam para possíveis impactos negativos. O tributarista Erlan Valverde destaca que a sobrecarga no setor produtivo pode ser um problema, já que o Brasil possui uma das maiores tributações sobre lucro corporativo do mundo.
Por outro lado, Marcelo Censoni, do Censoni Advogados Associados, vê a proposta como uma tentativa de reduzir as brechas que permitem que grandes contribuintes paguem cargas efetivas baixas. O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, ressalta que a aprovação não garante sustentabilidade fiscal para o Brasil.
O projeto, agora aprovado, segue para o Senado, onde poderá sofrer alterações. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou otimismo sobre a tramitação e acredita que não haverá dificuldades na Casa. Essa proposta é vista como um passo inicial para uma reforma tributária mais ampla, com o objetivo de reduzir a desigualdade no país.
Entre na conversa da comunidade