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Crises corporativas abalam investidores em mercados emergentes

Mercados emergentes enfrentam aperto: Braskem avalia reestruturação com linha de US$ 1 bi; Ambipar próximo da recuperação judicial; Can Holding/Ciner sob investigação na Turquia; Raízen sofre queda de títulos

Da Ambipar à Braskem, crises corporativas abalam investidores em mercados emergentes | Crises ameaçam interromper anos de desempenho superior da dívida corporativa do mundo em desenvolvimento em relação aos seus pares globais (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)
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  • Perdas em títulos de dívida corporativa em mercados emergentes sinalizam possível arrefecimento do desempenho; Braskem avalia reestruturação de dívida e busca linha de crédito de US$ 1 bilhão; Ambipar aproxima-se da recuperação judicial; Ciner Group é investigado na Turquia.
  • No Brasil, a Raízen apresenta queda de 20 centavos nos títulos em dois dias, em meio à pressão inflacionária e a altas taxas de juros.
  • Na Turquia, Can Holding está sob investigação, contribuindo para a instabilidade no mercado local. As taxas de juros chegam a 40,5%.
  • Morgan Stanley aponta que os eventos são surpreendentes e profundamente problemáticos, potencialmente abalando a confiança dos investidores; Citigroup indica menor apetite por notas de mercados emergentes em 2026.
  • Mesmo diante dos desafios, alguns ciclos de crescimento ainda são vistos como positivos; investidores passam a favorecer títulos de maior qualidade e realizar lucros em meio à volatilidade.

Perdas significativas em títulos de dívida corporativa têm sinalizado que o desempenho superior dos mercados emergentes pode estar em risco. No Brasil, a petroquímica Braskem está considerando uma reestruturação de dívida, enquanto a empresa de gestão ambiental Ambipar se aproxima da recuperação judicial. Na Turquia, o conglomerado Ciner Group enfrenta investigações que impactam suas operações.

Essas crises corporativas estão gerando preocupações entre investidores, que observam uma possível interrupção no crescimento que durou quase dois anos. O índice de dívida corporativa de mercados emergentes, que havia mostrado forte desempenho, começou a enfraquecer nas últimas semanas. Akbar Causer, do Morgan Stanley, alertou que esses eventos são “surpreendentes e profundamente problemáticos”, podendo abalar a confiança dos investidores.

Situação no Brasil e na Turquia

Além da Braskem, a Raízen também enfrenta desafios, com seus títulos apresentando uma queda de 20 centavos em dois dias. A pressão inflacionária e as altas taxas de juros, que chegam a 40,5% na Turquia, complicam ainda mais o cenário. A Can Holding, sob investigação, também contribui para a instabilidade no mercado turco.

Os investidores estão se tornando mais cautelosos, optando por títulos de maior qualidade e segurança. Uma pesquisa do Citigroup indica que o apetite por notas de mercados emergentes deve diminuir em 2026, refletindo a crescente aversão ao risco. A volatilidade cambial e as pressões macroeconômicas estão levando a uma redução na exposição à dívida corporativa de emergentes.

Reações do Mercado

Apesar dos desafios, o ciclo de crescimento para algumas empresas ainda é considerado positivo. A Braskem, por exemplo, acionou uma linha de crédito de US$ 1 bilhão enquanto avalia sua estrutura de capital. Contudo, o aumento do risco de crédito e a incerteza econômica geram um ambiente desafiador para empresas com classificações de crédito mais baixas.

Os altos juros e a necessidade de refinanciamento em um cenário de taxas elevadas podem resultar em dificuldades adicionais. A situação atual lembra o colapso da varejista Americanas em 2023, que congelou o mercado de dívida. Com a expectativa de que os spreads se estreitem, investidores estão optando por realizar lucros em um momento de incerteza.

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