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J&F torna-se sócia do governo na geração nuclear e mira demanda por energia estável e IA

J&F assina acordo para comprar participação da Eletrobras na Eletronuclear por R$ 535 milhões; Ambar passa a deter 68% do capital, com garantias, sujeito à aprovação regulatória

Eletronuclear opera Angra 1 e 2 e conduz o projeto de Angra 3
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  • A J&F assinou contrato para comprar a participação da Eletrobras na Eletronuclear por R$ 535 milhões; a Âmbar Energia passa a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante, assumindo garantias e a responsabilidade por futuras debêntures; a operação está sujeita a aprovação regulatória e pode integralizar debêntures de R$ 2,4 bilhões, com risco financeiro/insolvência da Eletronuclear.
  • A Eletronuclear opera Angra I, Angra II e desenvolve Angra III; Angra I tem 640 MW, Angra II tem 1.350 MW e Angra III tem 1.405 MW. A ENBPar mantém controle do governo federal.
  • A transação representa a primeira entrada significativa de um grupo privado no setor nuclear brasileiro.
  • Marcelo Zanatta, presidente da Âmbar Energia, afirmou que a energia nuclear oferece estabilidade, previsibilidade e baixas emissões, com contratos de longo prazo que devem gerar receitas; a atuação busca diversificação de portfólio.
  • A operação foi assessorada pelo BTG Pactual; a Eletrobras realizou mais de 30 reuniões com interessados; a proposta da Âmbar superou três concorrentes, permanecendo sujeita à aprovação regulatória.

A J&F anunciou, nesta quarta-feira, 15 de outubro, a assinatura de um contrato para adquirir a participação da Eletrobras na Eletronuclear por R$ 535 milhões. Com essa transação, a Âmbar Energia, braço da J&F, passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, que continua sob controle do governo federal por meio da ENBPar. Essa movimentação marca a primeira entrada significativa de um grupo privado no setor nuclear brasileiro.

A Eletronuclear opera as usinas Angra 1 e Angra 2, com 640 MW e 1.350 MW de potência instalada, respectivamente, e está desenvolvendo o projeto de Angra 3, com 1.405 MW. A operação também inclui a responsabilidade da J&F por garantias anteriormente fornecidas pela Eletrobras, além da futura integralização de debêntures no valor de R$ 2,4 bilhões. Essa aquisição ocorre em um cenário de desequilíbrio financeiro e risco de insolvência da Eletronuclear, conforme alertado pelo Ministério de Minas e Energia.

Contexto do Setor Nuclear

A entrada da J&F no setor nuclear é vista como uma resposta à crescente demanda por energia firme e limpa, especialmente para atender o consumo atual e a futura demanda de setores como data centers e inteligência artificial. A empresa dos irmãos Batista, conhecidos por sua atuação no setor alimentício com a JBS, busca diversificar seu portfólio e aproveitar oportunidades em um mercado estagnado, onde a finalização das obras de Angra 3 ainda é incerta.

Marcelo Zanatta, presidente da Âmbar Energia, destacou que a energia nuclear oferece estabilidade, previsibilidade e baixas emissões, características essenciais em um momento de descarbonização. A companhia acredita que a aquisição trará uma fonte de receitas confiáveis, uma vez que as usinas de Angra possuem contratos de longo prazo.

A transação, que ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores, foi assessorada pelo BTG Pactual e envolveu um processo competitivo, com a Eletrobras realizando mais de 30 reuniões com potenciais interessados. A proposta da Âmbar superou outras três concorrentes, refletindo a atratividade do setor nuclear no cenário energético brasileiro.

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