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Oura se torna o primeiro “decacórnio” europeu

Startup finlandesa de anéis inteligentes atinge valor de mercado de US$ 11 bilhões e promete expandir o alcance global de sua tecnologia de bem-estar baseada em IA

Oura Ring possui sensores que detectam até mesmo o estado do sono de quem utiliza o dispositivo (Foto: Reprodução/Oura)
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  • A empresa finlandesa Oura, conhecida pelo anel inteligente que monitora sono, estresse e saúde cardiovascular, recebeu um investimento de US$ 900 milhões.
  • Com essa nova rodada de investimento, a startup alcançou uma valoração de US$ 11 bilhões, tornando-se o primeiro “decacórnio” europeu do setor de healthtech (startups de tecnologia voltadas à saúde).
  • Fundada em 2013, a Oura já vendeu mais de 5,5 milhões de unidades do Oura Ring e detém cerca de 80% do mercado global de anéis inteligentes.
  • O mais recente modelo, Oura Ring 4, apresenta tecnologia avançada de sensores e novos recursos, como monitoramento de estresse diurno e insights sobre o ciclo menstrual.
  • A empresa planeja expandir sua presença internacional e integrar inteligência artificial aos seus sistemas de análise com o novo investimento.

A empresa finlandesa Oura, conhecida pelo anel inteligente que monitora sono, estresse e saúde cardiovascular, acaba de alcançar um marco histórico: com uma nova rodada de investimento de US$ 900 milhões, liderada pela Fidelity Management & Research Company, a startup atingiu uma valoração de US$ 11 bilhões, tornando-se o primeiro “decacórnio” europeu do setor de *healthtech* (startups de tecnologia voltadas à saúde). Quase o próprio Senhor dos Anéis, só que, em vez de reinos mágicos, o poder da Oura está nos dados biométricos.

O que é um decacórnio?

Se formos pela lógica linguística, com uma pitada de geometria, muitos chutariam que um *decacórnio* é um unicórnio com dez chifres. Brincadeiras à parte, a verdade é que o mercado foi criando novos modelos de crescimento e nomenclaturas em larga escala para negócios, a maioria delas, curiosamente, fazendo referência a animais.

Hipogrifos, dragões, *unicórnios*, coelhos, zebras, camelos. Mais do que diferenciar as empresas de acordo com o seu valor de mercado, essas denominações ajudam a identificar o estágio de maturidade e o *modus operandi* de cada startup.

Portanto, *decacórnio* (*decacorn*) é derivado de *unicórnio* (*unicorn*), não a criatura mitológica, mas o termo usado para designar startups, geralmente de tecnologia, avaliadas em um bilhão de dólares. Nesse caso, o *decacórnio* é o título reservado às empresas que atingem valoração de 10 bilhões de dólares ou mais.

A ideia de usar o mítico unicórnio surgiu porque, há alguns anos, era estatisticamente raro existirem negócios com esse nível de sucesso financeiro. O fenômeno se tornou tão comum que a designação precisou ser, literalmente, multiplicada por dez.

Como tudo começou

Criada em 2013 pelos finlandeses Petteri Lahtela, Kari Kivelä e Markku Koskela, a Oura nasceu como um projeto no Kickstarter, plataforma de financiamento coletivo, com a proposta de transformar dados biométricos em insights personalizados sobre saúde.

Mais de uma década depois, a marca já vendeu mais de 5,5 milhões de unidades do *Oura Ring,* sendo metade apenas no último ano, e domina cerca de 80% do mercado global de anéis inteligentes, segundo a consultoria IDC.

A Oura tem vários investidores, incluindo grandes nomes institucionais como Fidelity, ICONIQ, Whale Rock e Atreides, que participaram em rodadas de financiamento recentes. Além disso, a empresa tem o apoio de investidores anjo e parcerias estratégicas, como com a Dexcom.  Outro nome que figura entre os apoiadores da Oura é a 2Future, holding brasileira de inovação e tecnologia fundada pelo empresário Luís Felipe Neiva Silveira. O grupo, que atua em áreas como inteligência artificial, saúde digital e educação, já investia na Oura muito antes de se tornar uma promessa.

O sucesso é resultado da combinação entre design minimalista, tecnologia de ponta e uma experiência integrada de hardware e software. O anel monitora batimentos cardíacos, variabilidade do ritmo cardíaco (HRV), temperatura corporal, sono e níveis de estresse, oferecendo um retrato detalhado do bem-estar físico e mental do usuário.

Em 2024, a Oura registrou US$ 500 milhões em receita e projeta ultrapassar US$ 1 bilhão em 2025 — consolidando-se como uma das *healthtechs* mais rentáveis do mundo.

Oura Ring 4: o “laboratório no dedo”

O mais recente lançamento, o Oura Ring 4, apresenta avanços significativos na precisão dos dados com o sistema Smart Sensing, uma tecnologia de sensores ópticos de múltiplos comprimentos de onda que coleta dados fisiológicos contínuos.

Com revestimento interno e externo de titânio e sensores embutidos, o anel oferece até oito dias de bateria com uma única carga e traz novos recursos, como detecção automática de atividade, monitoramento de estresse diurno e insights sobre o ciclo menstrual.

A Oura também lançou recentemente uma linha em cerâmica, novas cores, e um estojo de recarga inteligente.

Da tecnologia vestível à saúde integrada

Ampliando o conceito de wearables, a Oura estreou o recurso Health Panels, que permite aos usuários agendar e visualizar exames laboratoriais diretamente pelo aplicativo. Nos Estados Unidos, o serviço já funciona em parceria com mais de 2.000 laboratórios da Quest Diagnostics, por US$ 99 por teste. O objetivo é aproximar o usuário do acompanhamento médico contínuo e tornar a prevenção um hábito diário, segundo o CEO Tom Hale.

Com o investimento, a Oura pretende acelerar a integração de IA aos sistemas de análise, expandir a presença internacional e desenvolver novos recursos voltados a empresas, seguradoras e profissionais de saúde.

Nova liderança e próximos passos

A companhia também anunciou mudanças na diretoria: David Shuman, fundador da Lateralus Holdings e membro do conselho desde 2016, assume como presidente do conselho, substituindo Eurie Kim, que ocupava o cargo desde 2019.

Outro nome confirmado é o de Wen Hsieh, sócio fundador da Matter Venture Partners e ex-diretor da Kleiner Perkins, que trará expertise em baterias, chips customizados e propriedade intelectual.

O futuro dos wearables

Com mais de 1.000 parcerias no ecossistema de bem-estar e medicina, a Oura aposta em um futuro no qual anéis, pulseiras e sensores corporais substituirão exames pontuais por monitoramentos contínuos e integrados.

Em um mercado dominado por gigantes como Apple, Samsung e Whoop, a empresa finlandesa assume agora a dianteira no segmento de saúde digital de precisão, ao unir engenharia biomédica, design escandinavo e inteligência artificial.

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