- A Net-Zero Banking Alliance (NZBA) foi criada em 2021 com apoio da Organização das Nações Unidas para alinhar financiamentos de bancos aos objetivos climáticos, exigindo metas de cinco anos e relatórios detalhados.
- A coalition desfez-se quase quatro anos após o lançamento, com saídas de bancos dos EUA e do Canadá, seguidas por várias instituições europeias e japonesas.
- Segundo relatório de 2025, o financiamento a combustíveis fósseis caiu em 2022 e 2023, mas cresceu mais de 20% em 2024.
- Até 2024, os 65 maiores bancos do mundo investiram cerca de US$ 7,9 trilhões em combustíveis fósseis desde 2016.
- Especialistas veem o colapso da NZBA como oportunidade para substituir um sistema voluntário por uma estrutura regulatória mais robusta, embora haja riscos para países dependentes de petróleo.
A aliança financeira Net-Zero Banking Alliance (NZBA), criada em 2021 para alinhar financiamentos de bancos internacionais às metas climáticas, encerrou suas atividades quase quatro anos após o lançamento. O grupo reunia instituições que se comprometiam com metas de cinco anos e relatórios detalhados sobre planos de transição.
O objetivo da NZBA era reduzir o financiamento a combustíveis fósseis, a maior fonte de gases de efeito estufa, e orientar o setor para emissões líquidas zero até 2050. A adesão exigia transparência e monitoramento periódico dos progressos.
A dissolução ocorreu em meio a saída de membros após a eleição de Donald Trump, nos EUA, e ao discurso antiambiental ligado a seu governo. Bancos norte-americanos, canadenses, europeus e japoneses emigraram do grupo nas fases iniciais.
Segundo relatório de 2025, o financiamento a combustíveis fósseis caiu em 2022 e 2023, mas subiu mais de 20% em 2024. Em 2024, os 65 maiores bancos do mundo tinham investido cerca de US$ 7,9 trilhões em fósseis desde 2016.
A pesquisadora de finanças climáticas Truzaar Dordi, da Universidade de York, afirma que a eleição de Trump foi um catalisador, embora as dinâmicas já estivessem adiantadas. Alega ainda que a função real da NZBA era criar a ilusão de ação e postergar regulações.
Ao encerrar, especialistas apontam que o fim da NZBA pode abrir espaço para um regime regulatório obrigatório, visto que mecanismos voluntários não teriam cumprido seu papel. Aliás, o fim do acordo pode acelerar avanços regulatórios.
A dissolução também é vista como alerta de que países com riqueza em combustíveis fósseis, incluindo diversos na África, podem ampliar investimentos nessa infraestrutura, com risco de ativos ociosos e endividamento elevado. há o risco de perder oportunidades em energia renovável.
Implicações regulatórias
Especialistas destacam a necessidade de estruturar normas mais firmes para investimentos financeiros em setores emissores de carbono. A desagregação da NZBA pode impulsionar debates sobre padrões obrigatórios de disclosure e metas de transição.
Em paralelo, organizações representativas do setor financeiro foram procuradas para comentar, mas não houve resposta até o fechamento deste texto. O objetivo é esclarecer impactos práticos de uma coordenação regulatória mais rígida.
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