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Bebidas alcoólicas perdem 830 bilhões de dólares em quatro anos

Bebidas alcoólicas perdem US$ 830 bilhões de valor de mercado em pouco mais de quatro anos, com mudança de consumo, tarifas e reestruturações em gigantes do setor

Novos tempos? Empresas de bebidas alcoólicas perdem US$ 830 bilhões em quatro anos | Bares buscam recuperar o apelo de outrora junto a consumidores mais jovens, em particular, para bebidas alcoólicas (Foto: Joanne Coates/Bloomberg)
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  • Ações de grandes fabricantes de cerveja, vinho e destilados perderam US$ 830 bilhões em valor de mercado nos últimos quatro anos, refletindo mudanças de consumo, pandemia e preocupação com a saúde.
  • O setor passa por reestruturação, com Diageo, Remy Cointreau, Campari e Moutai promovendo ajustes de liderança; ações dessas empresas atingem patamares históricos baixos, com a Diageo em nível não visto há uma década.
  • Mudanças nos hábitos de consumo são determinantes: o consumo de álcool nos Estados Unidos caiu para o menor nível desde 1939; Geração Z e millennials se afastam do álcool, buscando alternativas não alcoólicas.
  • Fatores econômicos pressionam o setor: tarifas nos Estados Unidos e altas taxas de juros reduzem o poder de compra; na China, queda de confiança das famílias e restrições oficiais também afetaram as vendas.
  • Apesar do cenário, há visões de oportunidade: analistas valorizam ações a preços baixos em relação aos lucros futuros; investidores como Richard Cook, do Cook & Bynum, veem potencial em Ambev, mas a incerteza faz muitos adotarem cautela, com comparação ao tabaco.

As ações de grandes fabricantes de cerveja, vinho e destilados perderam US$ 830 bilhões em valor de mercado nos últimos quatro anos. Essa queda reflete uma mudança significativa nas preferências dos consumidores, exacerbada pela pandemia e novas preocupações com a saúde.

O setor enfrenta uma reestruturação profunda, com empresas como Diageo, Remy Cointreau e Campari passando por mudanças de liderança. As ações dessas gigantes estão em níveis mínimos históricos, com a Diageo, por exemplo, atingindo patamares não vistos em uma década. A pressão sobre essas empresas é intensa, especialmente diante da queda na demanda, principalmente entre as gerações mais jovens.

Mudanças nos Hábitos de Consumo

As alterações nos hábitos de consumo são um dos principais fatores para essa crise. Um indicador da Gallup revelou que o consumo de álcool nos Estados Unidos caiu para o menor nível desde 1939. Além disso, a Geração Z e os millennials estão se distanciando do álcool, influenciados por campanhas de saúde e a popularização de alternativas não alcoólicas.

A crise econômica também impactou o setor. As tarifas nos Estados Unidos e as altas taxas de juros reduziram o poder de compra dos consumidores. Na China, a falta de confiança das famílias e restrições ao consumo em cargos oficiais contribuíram para a queda nas vendas.

Reestruturações e Oportunidades

As mudanças não se limitam apenas ao consumo. O setor está passando por uma onda de reestruturações, com diversas demissões e troca de executivos. Apesar do cenário desafiador, alguns analistas veem oportunidades de compra, considerando que as ações estão sendo negociadas a preços baixos em comparação aos lucros futuros.

Investidores como Richard Cook, do fundo Cook & Bynum, mantêm uma visão otimista em relação a empresas como a Ambev, que teve um desempenho melhor que o índice Ibovespa. Cook acredita que o consumo de álcool não vai desaparecer e que as cervejarias em mercados emergentes continuarão a crescer.

A incerteza sobre o futuro do setor de bebidas alcoólicas, no entanto, suscita comparações com a trajetória do tabaco, uma situação que parecia improvável há poucos anos. A falta de clareza sobre as perspectivas de longo prazo leva muitos investidores a adotar uma postura cautelosa.

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