- Em setembro de 2025, a capitalização das stablecoins atingiu US$ 300 bilhões, com projeções entre US$ 500 bilhões e US$ 3,7 trilhões até 2030.
- O FMI e o BCE já expressaram preocupações sobre riscos para a estabilidade financeira e o papel dos bancos, em meio ao crescimento do setor.
- Apopularidade vem da possibilidade de transferências internacionais rápidas e com custos baixos, sem intermediários bancários, como na troca de euros por stablecoins para envio rápido entre países.
- Riscos incluem privatização do dinheiro e problemas de liquidez, caso haja demanda maciça por saque; estudo de caso citado é a falha da TerraUSD.
- Regulações em foco, como o Markets in Crypto-Assets Regulation (MiCA) na Europa, buscam exigir reservas adequadas, mas lacunas ainda são apontadas por especialistas.
Nos últimos meses, as stablecoins têm se tornado o centro das atenções no mercado financeiro global. Com uma capitalização de US$ 300 bilhões em setembro de 2025, esse tipo de criptoativo, atrelado a moedas fiat, está projetado para alcançar entre US$ 500 bilhões e US$ 3,7 trilhões até 2030. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) já expressaram preocupações sobre os riscos que essas moedas digitais representam para a estabilidade financeira e o papel dos bancos.
A crescente popularidade das stablecoins está ligada à sua capacidade de realizar transferências internacionais de forma rápida e com custos reduzidos. Isso ocorre porque, ao contrário de moedas tradicionais, as stablecoins permitem transações sem a necessidade de intermediários bancários. Por exemplo, uma empresa pode converter euros em uma stablecoin e transferi-los instantaneamente para uma empresa em outro país, que pode, então, converter a moeda digital em sua moeda local.
Riscos e Desafios
Entretanto, o aumento do uso de stablecoins não vem sem riscos. A privatização do dinheiro é uma preocupação destacada por Christine Lagarde, que alerta que o controle sobre a criação de moeda pode passar das instituições públicas para empresas privadas. Esse fenômeno pode desestabilizar o sistema financeiro, uma vez que os bancos centrais perderiam a capacidade de influenciar políticas monetárias, como taxas de juros e inflação.
Além disso, a liquidez é um risco significativo. Em situações em que muitos usuários tentam converter suas stablecoins em dinheiro ao mesmo tempo, as emissoras podem não ter reservas suficientes para atender a demanda. A falência da TerraUSD em 2014, que colapsou devido à falta de suporte adequado, exemplifica essa vulnerabilidade. O FMI alerta que, se as stablecoins substituírem depósitos bancários, os bancos podem enfrentar uma redução em sua capacidade de financiamento.
Regulações em Foco
Com o crescimento desse mercado, regulações como o Markets in Crypto-Assets Regulation (MiCA) na Europa estão sendo discutidas para garantir que as emissoras mantenham reservas adequadas. No entanto, especialistas, incluindo Lagarde, afirmam que ainda existem lacunas nas regulamentações que precisam ser abordadas. A falta de supervisão adequada pode levar a cenários em que a venda em massa de stablecoins cause pressão sobre as moedas reais, potencialmente desestabilizando o sistema financeiro.
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